Incra vai apurar denúncias de desvio de cestas

Desvio e venda de cestas básicas estariam ocorrendo no acampamento São Martin (Imagem ilustrativa)
Desvio e venda de cestas básicas estariam ocorrendo no acampamento Martin Afonso (Imagem ilustrativa)

A ouvidoria Regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) prometeu rigor na apuração das denúncias de desvio de cestas básicas feitas por sem-terra acampados em Porto Calvo, ligados à Comissão Pastoral da Terra (CPT). O caso foi revelado esta semana pelo jornal Gazeta de Alagoas.

Na reportagem, os sem-terra Isaias Soares da Silva e Antônio Leopoldino dos Santos denunciaram o desvio e a venda ilegal de cestas básicas distribuídas pelo Incra a 33 famílias que vivem há três anos no acampamento Martin Afonso, zona rural de Porto Calvo. Segundo eles, as irregularidades estariam sendo cometidas pelo coordenador do acampamento, identificado como Edvaldo Soares da Silva, mais conhecido como “Concril”.

“O coordenador está expulsando os acampados mais antigos da terra e colocando no acampamento pessoas que não são agricultores da reforma agrária, prometendo lote. Ele não nos deixa trabalhar e sempre age com ameaças”, denunciou Isaias Soares.

Ele denuncia que Concril recebe as cestas básicas e as armazena em casa, no bairro Manganzala, de onde faz a distribuição apenas a alguns acampados com quem se relaciona bem. As demais feiras são vendidas, segundo ele, por R$ 15 e até R$ 20 a terceiros.

“Ele está desviando as feiras que não chegam ao acampamento. Isso já está com três meses. Ele está vendendo duas feiras por R$ 30. E para os coitados dos trabalhadores não está entregando nada”, denunciou Isaias. Acampado em Martin Afonso desde o início da ocupação, o trabalhador rural Antônio Leopoldino dos Santos confirma as denúncias.

Acampamento São Martin fica na zona rural de Porto Calvo (Foto: Severino Carvalho)
Acampamento Martin Afonso fica na zona rural de Porto Calvo (Foto: Severino Carvalho)

“Estou há três meses que não recebo cesta básica. Minha irmã foi atrás dele (Concril) e ele falou que estava com raiva de mim porque tivemos uma discussão. Então, cortou (o fornecimento) e disse a minha irmã que a gente não precisava de feira”, revelou Leopoldino.

Os acampados cobram providências ao Incra e à coordenação estadual da CPT em Alagoas para que apurem as denúncias e restabeleçam o fornecimento das cestas básicas.

“Pode até ser que esteja havendo desvio, mas não acredito. O Incra estabeleceu critérios mais rígidos, individualizando a entrega por meio de conferência de CPF. De qualquer forma, vamos apurar”, afirmou o coordenador estadual da CPT, Carlos Lima. Para ele, há uma disputa interna entre os acampados, o que estaria gerando o conflito e as denúncias.

Ouvidoria

O ouvidor agrário regional do Incra em Alagoas, Marcos Bezerra, disse que o órgão federal não recebeu oficialmente qualquer denúncia sobre o desvio de cestas básicas no acampamento Martin Afonso, mas prometeu apurá-las. Segundo Bezerra, os repasses de alimentos não são periódicos. O caso chegou ao conhecimento dele através da Gazeta.

“Fizemos duas entregas recentemente: uma em dezembro (2013) e outra em meados de fevereiro. No ano passado, foram seis etapas”, revelou Bezerra. Como forma de controle, o Incra está recadastrando todas as famílias beneficiadas com a distribuição de cestas em Alagoas e relacionando-as por meio de um cadastro único, para evitar irregularidades. A reportagem não conseguiu localizar o coordenador denunciado pelos sem-terra.

3 thoughts on “Incra vai apurar denúncias de desvio de cestas

  1. Todo mundo sabe que em Alagoas a maioria das cestas básicas distribuídas pelo INCRA são comercializada com donos de mercearias no interior.Tem gente que faz casa de taipa tão pequena que não cabe ninguém dentro, entretanto recebe cestas básicas. Na maioria dos assentamentos moram uns poucos de verdade e recebem dinheiro dos demais cadastrados para dizer que os demais estão viajando com a familia a trabalho.Olhem nos assentamentos no final de semana principalmente, quantos CARROS E MOTOS nos locais. VCS acham que são de sem terras. Só o INCRA que diz não saber de nada porque é quem patrocina os vigaristas.

  2. O INCRA é conivente. A maioria dos Sem Terras são vagabundos que não gostam de trabalhar. Quando ganham um lote pegam empréstimo no banco e depois vendem o Lote porque vivem disso e não do trabalho no campo.Dos lotes comercializados em BRANQUINHA e em outros Municípios, QUANTOS O INCRA RECUPEROU????????

  3. Na reforma jenipapo2 estão cobrando 20,00 de cada posseiro
    Isso é certo ou não
    Jenipapo 2 em Ibotirama BA
    Não entregou ninguém todos querem o mesmo direito

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