Família de marinheiro morto denuncia Unidade Mista de Maragogi

Dona Albertina mostra foto do filho morto (Carlos Rosa / GA)
Dona Albertina mostra foto do filho falecido (Carlos Rosa / GA)

Familiares do marinheiro Ivanildo da Silva Campos, 47 anos, mais conhecido como “Van”, estão inconformados com a morte dele, ocorrida no dia 16 deste mês na Unidade Mista de Saúde de Maragogi. De acordo com a família, houve negligência e erro nos procedimentos médicos adotados, que teriam favorecido o falecimento do paciente, após uma crise hipertensiva.

“Foi negligência e erro de toda a equipe médica e de enfermagem. Meu irmão poderia ter morrido, mas que recebesse o atendimento necessário e isso não foi feito. Ele foi tratado como um indigente. Nem lençol tinha para cobri-lo”, denunciou a irmã do marinheiro, a acadêmica de Enfermagem, Almirene da Silva Campos.

Ela e a mãe, a dona de casa Albertina da Silva Campos, 68 anos, estiveram na Sucursal Maragogi e relataram o caso, sem citar nomes dos profissionais envolvidos. Elas cobram explicações e providências à Secretaria Municipal de Saúde.

“Não vou levar o caso para a Justiça, porque não terei meu filho de volta, mas é preciso que o gestor tome providências para que mais pessoas de Maragogi não venham a morrer naquela Unidade Mista. Procurei a imprensa para que as pessoas saibam o que está acontecendo ali e se previnam. Enquanto isso, a UPA permanece fechada”, desabafou a mãe.

De acordo com Almirene, Van faleceu após receber uma injeção intramuscular na região glútea. “Nunca vi isso: um paciente com quadro hipertensivo receber medicação intramuscular. Nós não sabemos que medicação foi ministrada porque se negaram a entregar o prontuário, apesar dos pedidos que fizemos”, revelou.

Segundo Albertina, o filho estava em casa no dia 16, quando sentiu-se mal. O sobrinho dele de 11 anos o encontrou caído no chão. Van pediu para o menino lhe ajudar a tomar um banho e a medicação que usava para controlar a pressão arterial. Ele era hipertenso.

Em seguida, o menino foi até o 2º Grupamento de Bombeiros Militar (2º GBM) onde pediu ajuda. Uma ambulância da corporação prestou socorro ao paciente e o levou à Unidade Mista de Saúde de Maragogi.

Ainda de acordo com Albertina, o filho foi medicado e colocado no soro no setor de urgência e emergência. Depois de estabilizado, Van foi transferido a um dos leitos da Unidade Mista de Saúde, onde ficou internado e teria recebido a injeção intramuscular, quando voltou a sentir-se mal.

“Um tempo depois, ele ficou roncando alto e isso chegou a incomodar as enfermeiras, mas elas não foram lá no quarto vê-lo, só foram quando ele já estava morto para constatar o óbito”, lamentou a mãe, que acompanhava o filho internado.

Ao perceber a morte, Albertina entrou em desespero e disse que foi chamada de “perturbada” dentro da Unidade Mista. Segundo os familiares, o Serviço de Verificação de Óbito (SVO) não recolheu o corpo, que foi liberado para sepultamento, após o médico assinar o atestado, apontando como causa da morte a crise hipertensiva que havia gerado um Acidente Vascular Cerebral (AVC).

“No atestado de óbito ainda consta que meu irmão sofria de etilismo crônico e isso não é verdade”, contestou a irmã. O secretário municipal de Saúde de Maragogi, Eduardo Montezuma, disse que ao tomar conhecimento do caso determinou a abertura de uma sindicância para apurar os fatos.

3 thoughts on “Família de marinheiro morto denuncia Unidade Mista de Maragogi

  1. É um absurdo, nada de sindicância, isso não vai dar em nada, atenção governantes de Maragogi façam algo concreto… apresentem o prontuário com a medicação que foi aplicada e respeitem a família do “van” ele não era alcoólatra! !

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