Casas de taipa desabam no Risca Faca

Criança observa o que sobrou da casa que ruiu no Risca Faca (Fotos: Severino Carvalho)
Criança observa o que sobrou da casa que ruiu no Risca Faca (Fotos: Severino Carvalho)

Cerca de 30 casas na comunidade do Risca Faca foram atingidas pelas chuvas que caem em Maragogi desde a última quinta-feira. Frágeis, as unidades de taipa desmancham em contato com a água. Muitas tiveram as paredes afetadas e outras desabaram por completo, após a saída de seus moradores. Eles reclamam que estão desamparados.

“Ninguém veio aqui para me ajudar em nada. Eu mesmo que comprei seis metros de lona por R$ 40 e botei na parede, se não caía tudo por cima de mim e dos meus filhos”, reclamou a dona de casa Quitéria Henrique da Silva, 42 anos, em entrevista à Gazeta de Alagoas, edição deste sábado.

O Risca Faca é hoje a maior favela de Maragogi. Foi criada há oito anos quando famílias que ocupavam as margens da AL-101 Norte foram removidas numa força-tarefa que envolveu a prefeitura municipal, o Ministério Público e o Departamento de Estradas de Rodagem (DER). À época, para convencer os invasores, a prefeitura prometeu construir casas de alvenaria.

Família deixou a casa, que desabou, mas o gato permaneceu
Família deixou a casa, que desabou, mas o gato permaneceu

Passados oito anos anos, apenas cem unidades começaram a ser construídas, em 2012, mas as obras estão paralisadas há mais de um ano.  As moradias, porém, não foram concluídas e, mesmo assim, foram ocupadas pelas famílias que perderam suas casas no Risca Faca por causa das chuvas. A prefeitura promete retomar as obras no próximo dia 5, entretanto, exige a saída dos invasores.

“A casa não tem nada, nem piso. Eu botei um pano na porta, que não existe, e um compensado para fechar. Estou morando lá dentro com o marido e três filhos”, confessou Maria Rosa da Silva, 47 anos.

Quem não encontrou casa para ocupar achou abrigo nos acampamentos sem-teto que se multiplicam em Maragogi em função do déficit habitacional e da ausência de políticas públicas de habitação popular.

Muitas casas no Risca Faca correm risco de desabar e mesmo assim permanecem ocupadas. As famílias reclamam que não têm para onde ir.

Dona
Barreira deslizou e atingiu casa de “dona” Maria

“Tem muita gente que insiste em ficar. Eu saí da minha casa e fui para outra de um amigo, mas a casa dele também pode cair a qualquer momento. Nossa situação é complicada, porque não temos para onde ir”, lamentou Aurélio Juvêncio, 50.

Antônia Maria da Silva, 58, por pouco não foi soterrada. A barreira que existe nos fundos da casa dela deslizou sobre a parede. “Graças a Deus ninguém foi atingido”, disse, aliviada, mas suja de barro da cabeça aos pés de tanto tirar lama do quintal e de dentro da moradia, onde permanece com a família.

 

 

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