Riacho Barra Grande sofre com agressões ambientais

Manguezal foi aterrado e cortado na foz do Riacho Barra Grande (Fotos: Severino Carvalho)
Manguezal foi aterrado e cortado na foz do Riacho Barra Grande (Fotos: Severino Carvalho)

A foz do Riacho Barra Grande, no distrito homônimo, em Maragogi, passou a ser alvo de agressões ambientais. Retirada irregular de areia, aterro e supressão do manguezal são os crimes praticados contra aquele corpo d’água, que sofre com as intervenções humanas em praticamente todo o seu curso, até desaguar no mar da Área de Proteção Ambiental (APA) Costa dos Corais, no Litoral Norte do Estado.

A Gazeta de Alagoas, na edição desta quarta-feira (27), denuncia, mais uma vez, os crimes ambientais ali praticados. A reportagem retornou ao local na terça-feira (26), onze dias após a denúncia veiculada na edição do dia 15 de janeiro. Apesar disso, os crimes persistem.

A movimentação de terra continua latente na foz. É possível constatar isso pela remoção do material, as marcas dos pneus deixadas por veículos pesados e o aterro depositado noutros pontos, que ameaçam a desembocadura do riacho. Há ainda a evidente supressão do manguezal, cuja vegetação apresenta-se cortada e tombada.

A Gazeta esteve no local pela primeira vez acionada por um morador de Barra Grande que denunciou o crime ambiental. Com medo de retaliações, ele preferiu não se identificar. De acordo com a denúncia, caçambas e uma máquina retroescavadeira atuam nos fins de semana, removendo a vegetação e despejando aterro sobre a área.

Num ponto central, há uma grande escavação. “A nossa preocupação é que o aterro está estreitando a boca do riacho e, em tempos de chuva, a água pode represar, retornar e invadir as casas do povoado, que ficam mais pra cima”, alertou o morador, naquela ocasião.

Extração irregular de areia nas proximidades da foz do Riacho Barra Grande
Extração irregular de areia nas proximidades da foz do Riacho Barra Grande

O agravante é que o crime ambiental acontece dentro da APA Costa dos Corais, maior Unidade de Conservação Marinha do País. “Essa área toda recebia água quando a maré subia. Hoje está completamente aterrada e seca”, denunciou. O morador não sabe a quem atribuir o crime ambiental, mas desconfia que o local receberá algum empreendimento turístico.

De acordo com ele, as intervenções na área começaram em dezembro do ano passado. O Riacho Barra Grande sofre agressões ambientais em quase toda a sua extensão, a exemplo do lançamento de esgoto doméstico e do aterro de suas margens nas imediações do Loteamento Parque dos Coqueirais, onde pontos comerciais estão sendo instalados.

Consultado naquela ocasião, o Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA) garantiu que enviaria uma equipe ao local para averiguar a denúncia. A reportagem manteve contato com o órgão na terça-feira (26), mas não obteve resposta sobre as providências que foram adotadas.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *