Porto Calvo anuncia que vai retomar construção de anel viário

Obra do anel viário foi embargada pelo Iphan (Foto: Severino Carvalho)
Obra do anel viário foi embargada pelo Iphan (Foto: Severino Carvalho)

A prefeitura de Porto Calvo informou, por meio de sua assessoria, que o município vai contratar um arqueólogo e cumprirá todas as exigências para que a construção do anel viário seja retomada o mais brevemente possível. Sem licença ambiental, a obra foi embargada na quarta-feira (2) pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), após a destruição de uma construção antiga e de valor arqueológico.

“Iniciamos as conversas com o município para desenvolvermos em Porto Calvo um trabalho de educação patrimonial para que não ocorra o aconteceu com essa edificação que foi completamente destruída”, disse a arqueóloga do Iphan, Rute Barbosa.

Ela esteve em Porto Calvo na quarta-feira (2), quando realizou uma inspeção na área onde a edificação foi descoberta, durante as obras de construção do anel viário. De acordo com a prefeitura, a obra tem o objetivo de conferir maior fluidez ao trânsito no centro da cidade, que possui diversas ladeiras e ruas estreitas.

Moradores da região acabaram destruindo a construção antiga em forma de arcos, edificada em tijolos de formas e tamanhos diversos. “Infelizmente a construção foi completamente destruída, por isso não temos como avaliar do que se tratava”, lamentou a arqueóloga.

Munidos de enxadas, picaretas e pás, os populares procuravam por botijas: tesouros antigos que continham ouro, prata e moedas. Nada foi encontrado, porém. Rute Barbosa produzirá um relatório acerca da situação que será remetido à Polícia Federal (PF). A Delegacia de Crimes Contra o Meio Ambiente e do Patrimônio Histórico da PF abrirá inquérito para tentar identificar e punir os responsáveis pela destruição da edificação.

Todos os sítios arqueológicos são definidos e protegidos pela Lei nº 3.924/61, sendo considerados bens patrimoniais da União. Segundo Rute Barbosa, a obra estava sendo executada pela prefeitura de Porto Calvo sem a devida licença ambiental, em que deveria constar a anuência do Iphan, e por isso sofreu o embargo. A prefeitura foi notificada e pode ser multada.

Nas proximidades onde está sendo construído o anel viário de Porto Calvo, o Iphan identificou, no ano passado, um fortim de terra do século 17, relacionado à movimentação e ocupação holandesa / ibérica do rio Manguaba, que corta o município histórico.

Olaria

Arqueólogos do Iphan avaliam construção que foi destruída (Foto: Carlos Rosa / GA)
Arqueólogos do Iphan avaliam construção que foi destruída (Foto: Carlos Rosa / GA)

O mais recente achado fez a população de Porto Calvo reavivar a crença de que, no subsolo da histórica cidade, existe uma rede de túneis escavados no século 17 pelos portugueses ou holandeses e que serviam à logística da guerra, como também eram utilizados como rota de fuga ante as intensas refregas entre os exércitos adversários.

Para o operador de máquinas José Otávio da Silva, 60 anos, a edificação antiga encontrada sob a estrada do anel viário se trata, na realidade, de uma antiga olaria que ali funcionava, o que explica a ocorrência de tijolos vitrificados, em decorrência da alta temperatura.

“Isso era um grande forno de se fazer tijolos e telhas. Meu avô, há uns 90 anos, trabalhou aqui. Não tem nada a ver com túnel”, garantiu o morador.

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