Ponte permanece inacabada há 8 anos em Porto Calvo

Morador se arrisca em travessia de bicicleta sobre passarela de madeira (Foto: Severino Carvalho)
Morador se arrisca em travessia de bicicleta sobre passarela de madeira (Foto: Severino Carvalho)

A “Ponte do Patia”, em Porto Calvo, permanece inacabada há exatos oito anos. Em novembro de 2006, a estrutura desabou antes mesmo de ser concluída. A obra – ou o que restou dela – continua entregue ao mato e às intempéries, sob os aplausos do descaso. Blocos de concreto e ferro dormitam no leito no Rio Comandatuba, por onde escorre o dinheiro público aos borbotões.

A ponte beneficiaria diretamente as ruas do Oiti, Varadouro (1, 2 e 3) e Balança, interligando essas localidades à AL-465; serviria também para desafogar o trânsito caótico que se avoluma no centro da cidade.

No lugar da ponte, que desabou, os moradores ergueram uma passarela de madeira – conhecida popularmente como pinguela – por onde passam em meio a motos e a bicicletas, uma travessia arriscada e que só pode ser vencida quando o nível do rio estiver baixo.

O agricultor Antônio Costa, 58 anos, sabe muito bem a importância da consolidação da obra. Todos os dias, ele equilibra-se sobre a passarela de madeira e a atravessa para buscar os netos que chegam da escola e são deixados à margem da rodovia.

“Todo dia passo por esse sofrimento medonho. Se tivesse a ponte, o ônibus entrava e parava na porta de casa. Quando chove muito não dá pra passar e os meninos ficam até uma semana sem ir para a escola”, queixou-se o lavrador.

A ponte desabou em novembro de 2006, quando estava praticamente pronta. Duas empreiteiras executaram as obras de construção da Ponte do Patia. A Amorim Barreto, responsável pela terraplanagem, recebeu do governo do Estado, à época, R$ 149.932,60, de um total previsto de R$ 711.585,60.  À construtora Assumpção foram faturados R$ 332.639,68 – de um total previsto de R$ 396.970,05, referentes à estrutura da ponte, números fornecidos pelo próprio DER.

O órgão estadual instaurou em 2007 uma investigação para apurar as responsabilidades pelo desmoronamento da estrutura. O procedimento, entretanto, nunca foi concluído. Em 2010, a prefeitura de Porto Calvo prometeu retomar a obra por meio de um novo projeto, abastecido com recursos do Ministério da Integração Nacional da ordem de 1,2 milhão.

Em julho de 2011, o então prefeito de Porto Calvo, Carlos Eurico Leão e Lima (PMDB), o “Kaika”, chegou a anunciar o processo licitatório para contratação da obra, que deveria começar em 60 dias, o que também não aconteceu. A licitação só seria feita no dia 19 de agosto deste ano, já na gestão do prefeito Ormindo Uchôa (PSDB).

A empresa Inove Construções LTDA – EPP, de Maceió, foi a vencedora do certame. Segundo a assessoria da prefeitura de Porto Calvo, a obra está orçada em R$ 1.518.460,90, com investimentos do Governo Federal e contrapartida do município; os serviços devem começar ainda este ano.

“Os recursos que estavam bloqueados por causa do período eleitoral já foram liberados e a previsão é que a obra seja iniciada em dezembro com prazo para conclusão de oito meses”, informou o secretário de Infraestrutura, Alexandre Scala.

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