Piscinas naturais de Ponta de Mangue exploradas irregularmente

Lanchas nas piscinas naturais de Ponta de Mangue (Foto: Severino Carvalho)
Lanchas nas piscinas naturais de Ponta de Mangue (Foto: Severino Carvalho)

As piscinas naturais de Ponta de Mangue, no Litoral Norte de Maragogi, continuam sendo exploradas comercialmente. Donos de lanchas, barcos de pesca adaptados e catamarãs levam turistas até as formações recifais localizadas a cerca de 3 km da costa e chegam a cobrar R$ 80 pelo ingresso. A prática é proibida pelo Plano de Manejo da Área de Proteção Ambiental (APA) Costa dos Corais, que só reconhece como Zonas de Visitação as piscinas naturais de Taoocas, Barra Grande e Galés.

A exploração turística das piscinas naturais de Ponta de Mangue ocorre intensamente desde o início deste verão. Os operadores – donos das embarcações – se aproveitam do grande fluxo de turistas em Maragogi – durante a alta estação – para promover os passeios irregulares às piscinas naturais de Ponta de Mangue, sem serem incomodados pela fiscalização dos órgãos ambientais.

A atividade irregular foi denunciada na semana passada pelo jornal Gazeta de Alagoas. Apesar disso, neste fim de semana, as vendas de passeios ocorriam livremente, sem nenhuma interferência do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), órgão gestor da APA Costa dos Corais. A gestão é compartilhada com o Estado e os municípios integrantes da maior unidade de conservação marinha do País.

O número de banhistas nas três piscinas naturais autorizadas pelo ICMBio em Maragogi é limitado, justamente para reduzir os impactos ambientais sobre o frágil ambiente recifal. Toda a atividade é regrada e monitorada pelos órgãos de controle, diferentemente das piscinas naturais de Ponta de Mangue, onde tudo parece ser permitido. Os operadores clandestinos, então, se aproveitam do fluxo de turistas que sobra das Zonas de Visitação regulares para vender os passeios às áreas não permitidas.

“Os turistas são ludibriados e quando voltam do passeio não têm a quem reclamar. Eles (operadores) chegam a fazer duas viagens com uma única embarcação, o que representa risco aos banhistas e chegam a cobrar até R$ 80 por pessoa, quando o preço praticado pela maioria não passa de R$ 65 nas piscinas naturais autorizadas”, revelou um empresário do setor que é credenciado. Ele não quis se identificar.

As embarcações que promovem os “passeios turísticos” se juntam às lanchas dos veranistas, que fazem uso recreativo da área, elevando ainda mais o número de banhistas e os impactos ambientais sobre essas piscinas naturais. Contato, o analista ambiental do ICMBio, Eduardo Almeida, reforçou que a exploração turística nas piscinas naturais de Ponta de Mangue, em Maragogi, não é permitida.

Ele lembrou que o Plano de Manejo da APA Costa dos Corais estabelece que só é autorizada a exploração em ambientes recifais nas áreas denominadas de Zonas de Visitação: Galés, Taocas e Barra Grande, em Maragogi, e Piscina Natural de Paripueira, no município de mesmo nome.

“Os principais impactos da visitação desregrada ocorrem diretamente sobre o substrato (corais – animais) e sobre a comunidade de peixes com a presença humana, presença e tráfego de embarcações, alimentação (de peixes), entre outros”, alertou Almeida.

Dentre as penalidades previstas no artigo 90 do decreto 6514 – para quem for flagrado realizando o transporte de turistas às piscinas naturais de Ponta de Mangue ou em outras áreas não autorizadas – existe a aplicação de multa que varia de R$ 500 a R$ 10.000.

“Os prestadores sabem da proibição. Para coibir essa prática, o ICMBio vem realizando periodicamente operações na área e quem é pego infringindo as regras responde judicialmente”, enfatizou o analista ambiental.

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