Paquistanês é acolhido por muçulmano em Caruaru

Mohammad pediu ajuda na delegacia de Polícia Civil de Japaratinga; o desejo dele é ficar e encontrar emprego (Foto: Severino Carvalho)
Mohammad pediu ajuda na delegacia de Polícia Civil de Japaratinga; o desejo dele é ficar e encontrar emprego no Brasil (Foto: Severino Carvalho)

O paquistanês Mohammad Raza, 34 anos, já respira novos ares. Não, ele não retornou ao país de origem. Desde o domingo (07), o estrangeiro se encontra em Caruaru, no agreste pernambucano. Depois de passar 19 dias aos cuidados da Secretaria Municipal de Assistência Social de Maragogi e sob a proteção da Polícia Civil alagoana, Mohammad encontrou abrigo na casa de um amigo muçulmano, que conheceu por meio de uma rede social. Através de mensagens via whatsapp, ele conversou com o jornal Gazeta de Alagoas.

Com o visto de turista prestes a vencer, Mohammad revelou que deseja encontrar emprego e permanecer no Brasil. “Estou planejando encontrar emprego em qualquer faculdade como professor de inglês para estender meu visto, que vence no dia 7 de janeiro de 2015”, pretende o paquistanês.

Mohammad está no Brasil desde o dia 8 de outubro, atraído por uma suposta falsa promessa de emprego numa pousada de Japaratinga, no Litoral Norte de Alagoas, feita por Patrícia Maria Rodrigues da Silva, 53, que mora no Recife (PE). Os dois se envolveram amorosamente após se conhecerem, há cerca de quatro meses, pela internet, por meio de rede social. Ele a acusou de tê-lo abandonado em Japaratinga, somente a biscoitos e água. Revoltado, o estrangeiro procurou ajuda na delegacia de Polícia Civil.

O delegado Thiago Prado conseguiu abrigo para o estrangeiro, através da Secretaria de Assistência Social de Maragogi, numa pousada deste município, durante oito dias. Depois, Mohammad foi transferido para um leito no prédio do Centro de Atenção Psicossocial (Caps), onde recebia três refeições diárias.

Durante esse período, a delegacia de Polícia Civil manteve contato, por diversas vezes, com a Embaixada Paquistanesa em Brasília (DF), que abriu procedimento para tentar levar o estrangeiro de volta ao país de origem dele. A secretária da Embaixada, Camila Schaly, informou que já solicitou ajuda ao governo do Paquistão para que financie a passagem de volta, no entanto, ainda não recebeu resposta.

“Eles dizem que não têm fundos”, lamentou Mohammad, que também manteve contato com a Embaixada. “Não é uma situação tão fácil de resolver assim. Já mandamos fax, e-mail e realizamos diversos telefonemas, mas, até agora, não obtivemos nenhuma resposta das autoridades paquistanesas”, lamentou Camila.

Quando aceitou o convite da então namorada brasileira, Mohammad largou o emprego em Abu Dabi, capital dos Emirados Árabes Unidos e veio para o Brasil. Com o que havia amealhado, comprou a passagem só de ida e gastou o restante com alimentação. Ele disse que não quer voltar ao Paquistão, onde não há emprego.

“Há mais greve e insegurança”, revelou Mohammad, ao se referir ao Paquistão. Ele confessou, ainda, que pode ir para São Paulo (SP), onde uma instituição muçulmana já demonstrou interesse em recebê-lo. “Eu tenho ajuda para ficar e alimentos, só não há ajuda para o transporte e nenhuma ajuda para conseguir o visto”, afirmou Mohammad, se queixando ainda que documentos seus, a exemplo do divórcio oficializado em Abu Dabi, ficaram retidos com a ex-namorada brasileira.

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