Lixão de São Miguel dos Milagres recebe resíduo hospitalar

Catador mostra garrafa pet com seringas encontradas em lixão de Milagres (Fotos e vídeo: Severino Carvalho)
Catador mostra garrafa pet com seringas encontradas em lixão de Milagres (Fotos e vídeo: Severino Carvalho)

No sábado (27), a Gazetaweb publicou reportagem especial intitulada: “Lixo hospitalar ameaça equilíbrio ambiental e expõe catadores à contaminação”. Durante a produção da matéria, a GazetaWebMaragogi recebeu denúncias de que o lixo recolhido nas unidades de saúde de São Miguel dos Milagres, no Litoral Norte do Estado, tem como destino o lixão do município.

A irregularidade põe em risco o meio ambiente e a saúde dos catadores que ali trabalham no recolhimento de materiais recicláveis. “A coleta de lixo não é feita regularmente nas unidades de saúde e tem destino inadequado”, diz a fonte autora da denúncia, que pediu para não ser identificada.

De acordo com ela, quando recolhidos, os resíduos hospitalares têm como destino o lixão do município, localizado no povoado de Porto da Rua. Lá, são encontradas garrafas pet e sacos plásticos que contêm material perfurocortante, como agulhas; além de seringas, gazes e medicamentos vencidos.

O material infectante põe em risco a saúde pública, sobretudo dos catadores de materiais recicláveis como João José da Silva, de 78 anos (veja vídeo abaixo). Por pouco, a esposa dele não se feriu com uma agulha, que ficou presa à bota que calçava.

Processo

Os resíduos hospitalares precisam passar por uma série de processos até o descarte final em célula específica, dentro de um aterro sanitário para evitar a contaminação do meio ambiente (solo e aquíferos) pelo chorume, como acontece nos lixões onde não há nenhum tratamento.

Nos arredores do lixão de São Miguel dos Milagres há pelo menos dois riachos, que deságuam no mar da Área de Proteção Ambiental (APA) Costa dos Corais, maior Unidade de Conservação Marinha (UCM) do país.

Em Alagoas, apenas uma empresa atua na coleta, tratamento e destinação adequada dos resíduos hospitalares, que mantém contratos com diversas prefeituras no interior do Estado, menos com São Miguel dos Milagres.

“Não foi contratada empresa para recolher o lixo contaminado”, afirmou a fonte. De acordo com a denúncia, sem coleta regular, o lixo muitas vezes se acumula nas unidades de saúde, oferecendo riscos também aos profissionais da área.

A fonte autora da denúncia também encaminhou fotografias que mostram os resíduos hospitalares acondicionados de forma inadequada, supostamente dentro das unidades de saúde do município.

Em fotos enviadas à GazetaWebMaragogi, lixo aparece acumulado em unidade de saúde
Em fotos enviadas à GazetaWebMaragogi, lixo hospitalar aparece supostamente acumulado em unidades de saúde de São Miguel dos Milagres

Buraco

O prefeito de São Miguel dos Milagres, Adalberto Verçosa (PSDB), o “Draga”, negou que o destino dos resíduos hospitalares seja o lixão do município. Entretanto, confirmou a inexistência de contrato com uma empresa especializada para a destinação adequada do material poluente e infectante.

Segundo ele, os resíduos são recolhidos regularmente nas unidades de saúde do município e enterrados. O prefeito só não revelou o local. “A gente faz um buraco e enterra, mas não é no lixão, é em local separado”, disse o gestor.

Garrafa pet encontrada em meio ao lixão de São Miguel dos Milagres
Garrafa pet encontrada em meio ao lixão de São Miguel dos Milagres (Foto: Severino Carvalho)

Questionado sobre a inexistência de um convênio com uma empresa especializada no serviço, Draga alegou que já promoveu diversas chamadas para licitação, mas nenhuma se interessou.

“Todo ano faço licitação e nenhuma empresa aparece. Vou fazer outra agora em março. O lixo (hospitalar) aqui é pouco e elas não têm interesse porque não compensa”, alegou Draga.

Acerca do material encontrado pela reportagem no lixão, o prefeito afirmou que se trata de “uma armação política” promovida por alguém com interesse de desestabilizar a administração municipal em ano eleitoral.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *