Lixão de Maragogi volta a registrar focos de incêndio

Lixo em combustão gera densa fumaça tóxica (Fotos e vídeo Severino Carvalho)
Lixo em combustão gera densa fumaça tóxica (Fotos e vídeo: Severino Carvalho)

O lixão de Maragogi, no Litoral Norte de Alagoas, voltou a arder em chamas nessa semana. Em meio à densa e tóxica fumaça, catadores sem nenhum tipo de proteção se submetem, diariamente, a um trabalho degradante, arriscado.

A cena é dantesca! Saturado, o lixão de Maragogi registra focos de incêndio há meses, que se extinguem, mas voltam em seguida. O fogo impede que as caçambas ingressem na área e, por isso, os resíduos estão sendo despejados ao longo da íngreme estrada de acesso.

A GazetaWebMaragogi bem que tentou, mas não conseguiu chegar à área onde os catadores trabalharam. A estrada encontra-se bloqueada pelo lixo em combustão. É possível observar, entretanto, diversos catadores envoltos pela fumaça, que dificulta a respiração mesmo daqueles quem estão um pouco mais afastados.

Várias explosões e chiados assustadores emanam do lixo em combustão. Um zumbido perturbador provocado por nuvens de moscas afasta qualquer ser vivo, menos os catadores de recicláveis, movidos pela necessidade. O calor é insuportável!

Novo Lixão

A GazetaWebMaragogi manteve contato com a prefeitura, que informou desconhecer a situação relatada pela reportagem. O município, entretanto, garantiu que tomará providências para combater os focos de incêndio e liberar o acesso ao depósito de resíduos.

A prefeitura já identificou três áreas para relocar o lixão de Maragogi. A ideia é fazer um depósito de resíduos controlado, até que se construa um aterro sanitário, como exige a legislação ambiental e a Polícia Nacional de Resíduos Sólidos.

O proprietário do terreno onde fica atualmente o lixão deseja reaver o imóvel. A prefeitura não informou os três locais que serão sugeridos à Promotoria de Justiça para a instalação do novo lixão, mas a reportagem apurou que dois deles ficam em fazendas da zona rural; um deles em área de assentamento da reforma agrária, o que pode gerar resistência por parte dos agricultores.

O município garante, entretanto, que todos os locais apontados ficam distantes de povoamentos e de nascentes ou cursos d’água. José Roberto Dias Gomes, proprietário da Fazenda Boa Vista, onde fica o atual lixão da cidade, pediu de volta o terreno ao município, em novembro do ano passado.

O caso encontra-se na Promotoria de Justiça, que busca uma conciliação para o conflito.

Catadores de recicláveis em meio à fumaça tóxica no lixão de Maragogi
Catadores de recicláveis em meio à fumaça tóxica no lixão de Maragogi

José Roberto contratou um estudo técnico, apresentado ao Ministério Público, em dezembro de 2015. O relatório aponta a ocorrência de danos ambientais provocados pelo chorume proveniente do lixão que atingem um raio de 5 km, afetando os rios dos Paus e Maragogi. Estes deságuam no mar da Área de Proteção Ambiental (APA) Costa dos Corais, maior Unidade de Conservação Marinha (UCM) do País.

“Nós vamos indicar as três áreas ao Ministério Público, mas não sabemos se o Instituto do Meio Ambiente (IMA) vai dar o aval, porque, por lei, não se pode mais criar lixão e nós não temos, nesse momento, como construir um aterro. Esse é o impasse”, observou o secretário municipal de Infraestrutura, Rildson José Aquino, o “Sinho”.

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