Incra cobra elucidação de crime em assentamento

Admilson foi morto com cinco tiros da cabeça (Foto: Severino Carvalho)
Edmilson foi morto com cinco tiros da cabeça (Foto: Severino Carvalho)

O ouvidor agrário da Superintendência Regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em Alagoas, Marcos Bezerra, informou que remeteu ofícios a instituições nacionais e estaduais pedindo apoio e cobrando celeridade na apuração da morte do líder sem-terra Edmilson Alves da Silva, 35 anos, assassinado a tiros na sexta-feira da semana passada, em Japaratinga.

Presidente do Assentamento Irmã Daniela, neste município, ele foi sepultado no último sábado, no Cemitério Santa Luzia, em Porto Calvo, a 100 km de Maceió.

“Esperamos que o caso seja elucidado, com rigor e celeridade. Ficou evidente que o crime foi de execução. Ninguém efetua seis disparos de arma de fogo contra alguém para lhe roubar uma bolsa. Cinco dos tiros foram na cabeça e um de raspão”, revelou o ouvidor agrário do Incra, em entrevista à Gazeta de Alagoas, edição desta terça-feira (26).

Ele informou que, esta semana, retorna ao Assentamento Irmã Daniela para conversar com as famílias dos agricultores que estão assustadas com o clima de violência, depois da morte do líder sem-terra.

Marcos Bezerra despachou ofícios à Ouvidoria Agrária Nacional, à Secretaria de Segurança Pública, à Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) Alagoas, à Defensoria Pública Agrária e ao Comitê Estadual de Mediação de Conflitos Agrários.

“Solicitamos que seja realizada uma reunião de urgência para discutirmos o assunto”, disse Bezerra, ao se referir ao Comitê.

O crime

Edmilson foi surpreendido e morto à margem da AL-465, enquanto aguardava a chegada de um carro que o levaria à sede da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), em Maceió. O presidente do Assentamento receberia cestas básicas que seriam distribuídas com assentados e acampados da região.

Dois homens em uma moto se aproximaram e abriram fogo contra o líder sem-terra. Ferido, ele buscou refúgio dentro da sede do Assentamento, que ainda está em fase de instalação. Edmilson tombou ao lado de um barraco de lona e palha, morto com cinco tiros na cabeça.

Os criminosos fugiram levando uma bolsa com todos os documentos da vítima. Edmilson morava com a esposa, Célia Amâncio dos Santos, 33, num barraco instalado na sede do Assentamento. Ele era pai de cinco filhos.

O inquérito foi instaurado por meio de portaria assinada pelo delegado de Maragogi e Japaratinga, Ayrton Soares Prazeres. O delegado plantonista, Caros Umberto, ficou responsável pelas investigações iniciais e contou com o apoio do delegado Carlos Reis, diretor do Departamento de Polícia Judiciária da Área 3 (DPJA-3).

De acordo com Carlos Umberto, a principal suspeita é de Edmilson tenha sido assassinado por causa de rixas geradas a partir de conflitos agrários na região Norte do Estado. Mesmo presidente do Assentamento, cuja imissão de posse saiu em agosto de 2014, ele continuava a liderar ocupações de terra e a denunciar a prática de crimes ambientais em fazendas da região.

“Não podemos descartar outras possibilidades, mas a linha de investigação é essa”, disse o delegado.

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