Audiência pública vai discutir violência no trânsito

Estudantes conduzem caixão funerário ao cemitério (Fotos: Severino Carvalho)
Estudantes conduzem caixão funerário ao cemitério (Fotos: Severino Carvalho)

O atropelamento que provocou a morte de uma estudante e deixou outras quatro adolescentes feridas, esta semana, levantou a necessidade de se discutir o trânsito de Porto Calvo e encontrar soluções para o caos que se instalou nas vias enladeiradas que cortam a cidade.

O presidente da Câmara de Vereadores, Marcos Antônio da Silva Júnior (PRP), informou que, na próxima semana, convocará uma audiência pública para discutir a violência no trânsito de Porto Calvo e propor ações de ordenamento. Segundo ele, crianças, adolescentes e pessoas inabilitadas conduzem, livremente, veículos automotores na cidade.

“A bagunça é total. É moto empinando, dando cavalo de pau, fazendo racha. Temos de tomar uma atitude para que outra tragédia não venha acontecer”, afirmou Júnior que, juntamente com o vereador Ednaldo de Gusmão França (PSD), esteve reunido em Maragogi com o comandante do 6º Batalhão de Polícia Militar (6º BPM), tenente-coronel José Carlos Duarte.

Júnior revelou que convocará os representantes da prefeitura, da Polícia Militar, do Ministério Público e da comunidade. A data da audiência ainda será anunciada. Para o comandante do 6º BPM, é necessário a municipalização do trânsito.

“Não existe a SMTT em Porto Calvo (Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito) e a PM sozinha não tem condições de controlar o trânsito com o reduzido efetivo que dispomos”, observou o oficial.

O secretário municipal de Segurança e Transporte, Joaquim Spósito, anunciou que a prefeitura pretende criar o Departamento Municipal de Trânsito (Demutran) e a Guarda Civil Municipal, por meio concurso público. As entidades trabalhariam em conjunto com a PM no ordenamento do trânsito. Entretanto, não há para previsão para a instituição desses órgãos.

Ele garantiu, entretanto, que a prefeitura vem trabalhando a educação para o trânsito com a comunidade, através de palestras e eventos. Lembrou, ainda, que foram instaladas 50 placas de trânsito nas vias públicas, mas lamentou que a maioria tenha sido alvo de vândalos.

O enterro

Do alto, os guarda-chuvas escondiam as identidades, mas não seguravam a tristeza dos moradores de Porto Calvo
Do alto, os guarda-chuvas escondiam as identidades, mas não seguravam a tristeza dos moradores de Porto Calvo

Na quinta-feira (22), a Rua do Sol ficou pequena para o mar de gente que compareceu ao velório de Rafaella Soares da Silva, 16 anos. Chovia e os guarda-chuvas escondiam as identidades, mas não eram capazes de conter a tristeza que transbordava em lágrimas na face dos moradores de Porto Calvo.

Rafaella era uma das cinco estudantes da Escola Estadual Nossa Senhora da Apresentação atropeladas sobre a calçada da Rua do Varadouro 1, na manhã de quarta-feira (20), pelo condutor de uma motocicleta. As adolescentes retornavam para casa, quando foram atingidas.

O enterro reuniu cerca de duas mil pessoas. O corpo da estudante chegou a Porto Calvo por volta das 14h30, depois de ser liberado pelo Instituto Médico Legal (IML) de Maceió. Abalados, os familiares não tiveram condições de falar com a imprensa. Alguns desmaiaram e foram levados de ambulância ao Hospital Municipal.

Às 16 horas, o caixão foi posto no carro funerário e seguiu para o Cemitério Municipal Santa Luzia. Estudantes renderam homenagens à colega. Eles puxavam o cortejo entoando cânticos religiosos até o cemitério. A direção da Escola Estadual, com 1280 alunos, decretou luto por três dias. As aulas só serão retomadas na próxima segunda-feira.

Feridos

Duas das cinco pessoas feridas no acidente permanecem internadas no Hospital Geral do Estado (HGE), em Maceió. Segundo a assessoria de imprensa do HGE, Marcielle Carla da Silva, 17, encontrava-se na Unidade de Terapia Intensa (UTI). Ela é irmã de Rafaella.

Marcielle sofreu politraumatismo e passou por uma tomografia. O estado de saúde da paciente é considerado grave. Apontado como causador da tragédia, o condutor da moto, José Nailton da Silva, 22 anos, passou por cirurgia neurológica e está em observação.

Manoele Clévia Soares dos Santos, 14; Genilza Maria da Silva, 17; e Bárbara Lorrayne Lins da Silva, 14, sofreram contusões e escoriações. Elas receberam alta médica, após atendimento no HGE.

Segundo a Polícia Civil, o homem que provocou o acidente é inabilitado e teria perdido o controle da motocicleta ao passar em alta velocidade (cerca de 80 km/h) por um quebra-molas na Rua do Varadouro. Antes de atropelar as vítimas, a moto atingiu de raspão a traseira de um veículo. Nailton vai responder pelo crime de homicídio doloso (dolo eventual).

“Nem na escola a gente se sente segura mais. Os meninos descem a ladeira do Varadouro empinando as motos e a toda velocidade”, revelou a estudante Cláudia Maria de Santana, 16, que estuda na Escola Estadual Nossa Senhora da Apresentação.

One thought on “Audiência pública vai discutir violência no trânsito

  1. Até que fim vão tomar um atitude, depois de uma tragedia dessas, que aconteça mesmo essa Audiência , pois só acredito vendo, tomara que isso não vire pizza também.

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