Tanajuras fazem a festa de adultos e crianças

O esperto Mádson colhe tanajuras para assar na alho e óleo (Foto: Severino Carvalho)
O esperto Mádson colhe tanajuras para assar na alho e óleo (Foto: Severino Carvalho)

“Cai, cai tanajura / Na panela de gordura”. A cantiga faz parte do cancioneiro popular, da mesma forma que o hábito de se alimentar dessas formigas aladas e de abdômen avantajado integra a cultura nordestina. A iguaria é bastante apreciada pelos índios e também pelos caboclos das regiões rurais do Brasil.

Esta semana, nas cidades de Maragogi, Japaratinga e Porto Calvo, na região Norte de Alagoas, um verdadeiro batalhão de gente – crianças, jovens e adultos – se agitava pelas calçadas e ruas a catar tanajuras, aparadas no ar com roupas e ramos ou coletadas do chão.

O pequeno Mádson Batista de Lima, 12 anos, recolhia as saúvas com cuidado para não ser mordido. Em seguida, os insetos eram depositados, um a um, em uma garrafa plástica de refrigerante. Mais tarde, o destino das formigas seria a panela. “Eu gosto de fritar no alho e óleo”, afirmou a esperta criança.

A ‘carne’ da içá, como também é conhecida a tanajura, tem alto valor proteico. Essas formigas possuem aproximadamente 44% de proteínas. A carne de frango e a de boi, por exemplo, têm 23% e 20%, respectivamente. Os insetos são também ricos em sódio, potássio, ferro e cálcio.

“Quem come tanajura nunca adoece da próstata”, garante “seu” Genâncio Francisco da Silva, 67 anos, morador de Japaratinga, Litoral Norte alagoano. “Eu como tanajura desde menino”, completou.

De acordo com ele, os insetos costumam sair dos formigueiros em revoada quando as chuvas de março começam a fechar o verão. “A terra esfria e elas ganham o mundo”, ensina.

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