Sem-teto têm até 3 de julho para deixar conjunto

Casas foram ocupadas em abril (Foto: Severino Carvalho)
Casas estão ocupadas desde abril (Foto: Severino Carvalho)

Três de julho. Este é o prazo para as cerca de 120 famílias que ocupam as casas do Residencial Santo Inácio, à margem da AL-105, em São Luís do Quitunde, deixem os imóveis invadidos em abril. Um mandado de reintegração de posse, expedido pelo juiz substituto da Comarca de São Luís do Quitunde, Josemir Pereira, determina a desocupação.

As famílias invadiram as 58 casas, sob a bandeira do Movimento Via do Trabalho (MVT), que atua na promoção das reformas rural e urbana. Segundo a coordenadora regional do movimento social, Sônia Soares, as famílias vão permanecer nos imóveis até que a prefeitura municipal autorize o pagamento de aluguel social para todas elas.

“Só sairemos com a certeza que receberemos o aluguel social. Acontece que a prefeitura não quer arcar com o benefício e o movimento não vai deixas essas pessoas desamparadas. Tem casa ocupada com até três famílias”, declarou Sônia Soares, em entrevista ao jornal Gazeta de Alagoas.

Ela esteve reunida, na última terça-feira, com o subcomandante do 6º Batalhão de Polícia Militar, major Marco Aurélio, oportunidade em que o oficial a informou sobre a ordem de despejo. Segundo ele, o Centro de Gerenciamento de Crises, Polícia Comunitária e Direitos Humanos (CGCPCDH) vai tentar negociar, durante os próximos dias, uma desocupação pacífica das unidades habitacionais. Casso isso não ocorra, informou que terá de usar a força policial para cumprir a determinação judicial.

As casas do Residencial Santo Inácio fazem parte do programa Minha Casa, Minha Vida, construídas por meio de convênio entre a prefeitura, o governo federal e o banco Bonsucesso, que ingressou com a ação de reintegração de posse. A coordenadora do MVT, porém, denuncia que as obras, que se arrastam há cerca de quatro anos, estavam paralisadas e as casas sendo depredadas por vândalos. O quadro de abandono, segundo ela, motivou a ocupação.

“As famílias que ocuparam essas casas são vítimas das enchentes de 2000. Elas passaram por vários cadastros e nunca foram beneficiadas. É muito tempo esperando por uma casa”, afirmou a liderança. Ela lembrou, ainda que, conforme denúncias do próprio Ministério Público, vereadores e comerciantes estariam se apoderando de áreas que ficam no entorno do conjunto e que fazem parte do residencial. A reportagem não conseguiu manter contato com a prefeitura de São Luís do Quitunde.

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