Obras em vias da região Norte estão paradas há 3 anos

Erosão engole acostamento da AL-465, entre Japaratinga e Porto Calvo (Fotos: Severino Carvalho)
Erosão engole acostamento da AL-465, entre Japaratinga e Porto Calvo (Fotos: Severino Carvalho)

As placas que indicavam os valores do convênio já não existem mais, foram destruídas pela ação do tempo; afinal, três anos não são três dias. Durante todo esse período, as obras de recuperação da malha rodoviária que corta a região Norte do Estado permaneceram paralisadas.

Restaram pelo caminho trechos inacabados, sinuosos, mal sinalizados e polvilhados de buracos.

O péssimo estado de conservação da malha penaliza os moradores de mais de 12 municípios da região e provoca solavancos à principal atividade econômica do Litoral Norte de Alagoas: o turismo.

O convênio para restauração de aproximadamente 80 quilômetros de rodovias estaduais (AL-101, AL-465 e AL-430) foi firmado entre o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) e o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) em 2010.

Mas, por determinação da Controladoria Geral da União (CGU), o DNIT foi obrigado a bloquear a liberação dos recursos que ultrapassavam a cifra de R$ 44,4 milhões (verba do Programa da Reconstrução) disponibilizados por meio do convênio com o DER.

Em 2010, os Estados de Alagoas e Pernambuco sofreram com grandes enchentes, consideras a maior catástrofe natural dos últimos tempos na região. No município de Palmares (PE), duas pontes foram destruídas na BR-101. O tráfego de uma das mais movimentadas rodovias nacionais foi transferido para o Norte de Alagoas. A porta de entrada era a AL-101 Norte, seguindo pela 465, 105, 413 e 430.

Já combalidas e mal conservadas, as estradas estaduais não suportaram a grande movimentação de veículos, principalmente pesados, e a situação só se agravou. Foi quando o DER firmou com o DNIT o tal convênio que teria efeito “compensatório” em função da destruição da malha provocada pelo desvio do tráfego pesado da BR-101 às rodovias alagoanas.

As duas pontes em Palmares foram levantadas em um ano e o tráfego voltou a fluir pela BR-101, mas, por aqui, em Alagoas, ficaram os buracos e as obras inacabadas, suspensas. É que a CGU, após fiscalização, entendeu que a restauração dos trechos avariados não poderia ser objeto do Programa de Reconstrução, executado pelo governo do Estado que, de forma emergencial, socorreu os 19 municípios castigados pelas enchentes de 2010.

Rodovias se transformam em tobogãs 

Na AL-101 Norte, entre Japaratinga e Maragogi, asfalto chegou a ser removido, mas não foi reposto
Na AL-101 Norte, entre Japaratinga e Maragogi, asfalto chegou a ser removido, mas não foi reposto

As obras de restauração, iniciadas em 2010 com prazo de conclusão de 120 dias, já estão paralisadas há três anos. Sem os reparos e a manutenção necessários, o piso asfáltico se deteriora com o passar dos dias. “É um verdadeiro tobogã”, critica o empresário Mário Stodolni, proprietário de uma agência de viagens e receptivo.

Os desníveis foram gerados por causa da sobreposição da pista asfáltica nova sobre o antigo piso. Esses obstáculos, inclusive, já causaram diversos acidentes na região Norte do Estado.

De Japaratinga até a divisa de Maragogi com São José da Coroa Grande (PE) são 24,5 km a serem restaurados da litorânea AL-101 Norte por meio do convênio. Para a empreitada, foram disponibilizados R$ 17.379.995,56, recursos financeiros do Ministério dos Transportes (MT), repassado ao governo do Estado.

O outro trecho tem uma extensão de aproximadamente 18 km, entre Porto Calvo e Japaratinga, com recursos da ordem de R$ 9.594.292,47. As chuvas de verão só potencializaram o desgaste da malha rodoviária e pontos de erosão se abriram ao longo do trajeto. Um deles fica na Ladeira do Arrepiado e é de fazer qualquer um ficar de cabelo em pé ao passar pelo perigoso trecho. Todo o acostamento foi engolido e rachaduras caminham em direção ao eixo da pista.

Em situação bem pior estão os 28,4 km da AL-430. Lá, o asfalto praticamente desapareceu em diversos trechos, dando lugar a um imenso lamaçal intercalado por crateras, polvilhado por buracos menores.  “Há três meses, começaram a fazer um tapa-buraco em 8 km de estrada, mas o restante da rodovia permanece horrível”, atestou o comerciante José Roberto Magalhães, morador de Flexeiras.

A AL-430 funciona como uma alça interligando a movimentada BR-101 às ALs 105 e 101 Norte. Por isso, muitos caminhões e carretas carregadas com mercadorias a utilizam para encurtar caminho. Assaltos e acidentes, porém, desencorajam muitos motoristas.

A estrada também era usada por empresas que transportam turistas. Servia para encurtar caminho entre o Aeroporto Internacional Zumbi dos Palmares e as cidades litorâneas da Costa dos Corais, segundo maior polo hoteleiro do Estado.

“Até agora estamos esperando a conclusão da Alça da Flamenguinha, para encurtar distâncias entre Maragogi e o aeroporto, porque as condições de nossas estradas são horríveis. As agências e operadoras de viagem sabem disso e, dessa forma, incentivam o embarque e o desembarque de passageiros pelo aeroporto do Recife”, contou Mário Stodolni.

De acordo com ele, mesmo com a Alça da Flamenguinha pronta, o governo do Estado precisará restaurar todo o corredor rodoviário, entre Maceió e Maragogi. “Temos muitos problemas entre Maragogi e Japaratinga e de Porto Calvo a Matriz do Camaragibe. De São Luís do Quitunde a Maceió, é o caos”, enfatizou.

Versão

Trecho inacabado da AL-465, entre Porto Calvo e Japaratinga
Trecho inacabado da AL-465, entre Porto Calvo e Japaratinga

Em nota, a assessoria do DER informa que as obras dos trechos entre Japaratinga, Maragogi e a divisa com Pernambuco continuam paralisadas.

“O DER busca na Justiça a retomada das obras”, relatou o Departamento. A obra de restauração da AL-430, segundo o DER, encontra-se com 30%  dos serviços executados e a previsão é de que seja concluída ainda este semestre.

O DER informa também que já concluiu o projeto de restauração de 28 km das rodovias AL- 430 e AL- 435, no trecho de São Luís do Quitunde/Passo de Camaragibe/ Barra de Camaragibe. “Esta obra receberá recursos do BID e está em fase de licitação”.
Já a obra de implantação de 10,2 km da AL-435, entre os municípios de Passo do Camaragibe e Matriz do Camaragibe, está em andamento, informou.  É financiada com recursos federais e de emenda parlamentar. A previsão do órgão é terminá-la ainda este ano.
Sobre a AL-105, conhecida como “Alça da Flamenguinha”, que ligará a parte alta de Maceió ao município de São Luiz do Quitunde, o DER relata que está em andamento e conta com 20 km de pavimentação concluídos, no total de 28 km previstos.
Duplicação
No início do ano, representantes do governo federal e do DER realizaram um mapeamento prévio da rodovia AL-101 Norte que serviu como base para o anteprojeto de duplicação da estrada.
“Atualmente, técnicos do DER analisam este anteprojeto, juntamente com o DNIT, Ministério do Turismo e Caixa Econômica. O que foi definido, mas que poderá passar por mudanças, é que a obra terá início no bairro de Cruz das Almas (Maceió) e seguirá até o entroncamento da AL-413, no município da Barra de Santo Antônio, totalizando 31,2 km. A obra deverá ser financiada pelo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento)”, informou a assessoria do DER.

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