Postos da Adeal estão em condições precárias

O solitário Eugênio mostra que restou apenas o monitor. O computador (CPU) estão quebrado (Fotos: Severino Carvalho)
O solitário Eugênio mostra que restou apenas o monitor. O computador (CPU) está quebrado (Fotos: Severino Carvalho)

É precária a situação dos postos da Agência de Defesa e Inspeção Agropecuária de Alagoas (Adeal). Foi o que revelou a reportagem do jornal Gazeta, edição desta sexta-feira (18). Uma redefinição proposta pela Gerência de Barreiras pode reduzir ainda mais o número de funcionários das unidades de Maragogi, no Litoral Norte, e de Palmeira dos Índios, no Agreste alagoano.

Na avaliação dos fiscais agropecuários ouvidos pela Gazeta de Alagoas, as mudanças em curso – já anunciadas em reuniões – comprometerão ainda mais a missão da Adeal: impedir e/ou retardar ao máximo a disseminação de doenças e pragas que possam constituir ameaças à agropecuária e gerar prejuízos econômicos ao Estado.

Na manhã de quinta-feira (17), apenas um servidor trabalhava no posto da Adeal de Maragogi, à margem da AL-101 Norte, quando o correto seria a presença de dois funcionários. Situado no município com o maior número de assentamentos da reforma agrária no Estado (22), o posto – localizado nas proximidades da divisa com Pernambuco – atua na fiscalização do que entra e sai de Alagoas: animais e vegetais.

Dos transportadores são exigidas a Guia de Transporte Animal (GTA) e a Permissão de Transporte de Vegetais (PTV). Mas, se algum condutor furar o bloqueio, o fiscal não terá como interceptá-lo e aplicar multa. A única viatura está quebrada há mais de 15 dias.

Os procedimentos burocráticos são feitos a punho em formulários e levados para a sede em Maceió porque o único computador do posto da Adeal em Maragogi encontra-se quebrado há dois meses.

“A gente junta toda a papelada e, no fim do mês, leva tudo pra Maceió”, revelou o fiscal agropecuário, Eugênio Francisco de Souza.

Não há luminária no alojamento dos fiscais e nem água para beber. Os móveis estão em péssimo estado de conservação. “Água e até a caneta a gente traz de casa”, lamentou o solitário Souza.

Concurso

Abandono do posto de Maragogi é evidenciado pelas condições do mobiliário
Abandono do posto de Maragogi é evidenciado pelas condições do mobiliário

O golpe final pode vir com o processo de “redefinição do papel” das unidades de Maragogi e de Palmeira dos Índios. O posto de Maragogi, que só dispõe de quatro fiscais, perderia dois. Estes seriam remanejados para as unidades de São José da Laje e de Novo Lino.

O posto de Palmeira dos Índios, à margem da BR-316, com oito servidores, ficaria com apenas uma dupla. Os demais também seriam redistribuídos.

Com apenas dois fiscais nas unidades de Maragogi e Palmeira dos Índios, a proposta seria reduzir a fiscalização nas barreiras de 24 horas para apenas 8 horas diárias. E em horário comercial. À noite, os postos não funcionariam.

“Alagoas recentemente tornou-se zona livre da aftosa. Como manter este status sem fiscalização e com um quadro de servidores reduzido? Como fiscalizar e executar os outros programas das áreas animal e vegetal, como o combate à Brucelose e à Sigatoka Negra? Fiscalização se faz 24 horas por dia”, contestou um fiscal agropecuário, que pediu para não ser identificado.

Para ele, a redistribuição proposta pela Adeal é uma forma de maquiar a carência de servidores, resultado da não realização de concurso público. O último certame foi feito em 2008, mas apenas uma parte foi efetivada.

“Hoje, há apenas 110 efetivos. Muitos saíram porque encontraram outras fontes melhores de renda. Os servidores cedidos pela Carhp (Companhia Alagoana de Recursos Humanos e Patrimoniais) estão se aposentando. Por outro lado, o governo do Estado não faz concurso público”, acrescentou o fiscal da Adeal.

Adeal

A Gerência de Barreiras da Adeal confirmou que está sendo planejada uma redefinição do papel dos postos de Maragogi e de Palmeira dos Índios. Em Maragogi, por exemplo, um dos motivos para a proposta de mudança seria o baixo fluxo de trânsito de animais e vegetais.

Em Palmeira dos Índios, o argumento é a falta de segurança no local. “Por conta da identificação destes problemas, está sendo estudada a possibilidade de reduzir as equipes com a mudança do sistema de plantão. Mas, por outro lado, a fiscalização das equipes móveis será ampliada nestas localidades”, garantiu a Adeal, por meio da assessoria de imprensa.

Sobre os problemas estruturais do posto de Maragogi, a Gerência de Barreiras da Adeal informou que a viatura está em Maceió, onde passa por revisão mecânica. A Agência negou a carência de material de expediente e garantiu que o computador está em perfeitas condições, operando.

Ainda de acordo com a gerência do órgão de defesa, mensalmente os postos de barreiras são fiscalizados e recebem os materiais de expediente necessários para a execução do trabalho dos servidores.

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