Presidente de associação denuncia extração de madeira

Madeira extraída ainda continua empilhada no local (Foto: Severino Carvalho)
Madeira extraída ainda continua empilhada no assentamento (Foto: Severino Carvalho)

Cerca de 15 metros cúbicos de madeira de espécies nativas e de árvores frutíferas foram extraídas irregularmente do Assentamento Irmã Daniela, recém-criado pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em terras desapropriadas da Fazenda Arrepiado, localizada entre os municípios de Porto Calvo e Japaratinga, região Norte do Estado.

O crime ambiental foi denunciado pelo presidente da associação de agricultores do próprio núcleo rural, Edmilson Alves da Silva. Ele desconfia que a supressão da vegetação foi promovida por moradores da sede da antiga fazenda ou com a conivência deles.

“A gente sabe que aquilo que foi feito é crime ambiental e nós não vamos permitir que devastem as nossas reservas. Queremos, na verdade, protegê-las e vamos solicitar mudas ao IMA (Instituto do Meio Ambiente) para plantar nas áreas devastadas”, afirmou Edmilson, em entrevista ao jornal Gazeta de Alagoas, edição desta quinta-feira (13).

A liderança faz parte do Movimento de Libertação dos Sem-Terra (MLST). Edmilson esteve na última terça-feira na delegacia de Porto Calvo, onde denunciou o caso por meio de um boletim de ocorrência consubstanciado com fotografias. Ele informou que toda a documentação seria remetida nesta quinta-feira à Superintendência do Incra, em Maceió, para adoção de medidas administrativas.

Ainda de acordo com o presidente da associação, não foi possível identificar o autor do corte dos cerca de 15 metros cúbicos de madeira, entre árvores frutíferas e de espécies nativas como a ingazeira.

“A ingazeira é uma árvore que dá sombra e protege os olhos d’água (nascentes). A gente tem é de plantar mais e não destruir”, reagiu o assentado José Ailson Gomes. A devastação indignou as 31 famílias recém-assentadas.

“A gente não sabe exatamente que fez isso, mas como usaram motosserra com certeza foi com o consentimento de alguém aqui da fazenda”, avaliou o trabalhador rural Edvaldo Pedro Santos Cândido.

O Incra informou que tão logo receba a denúncia enviará uma equipe ao assentamento para avaliar os danos e acionará o IMA para identificação e punição dos autores do crime ambiental. A imissão de posse de 306 hectares da Fazenda Arrepiado, desapropriada por interesse social da reforma agrária, saiu no dia 21 de agosto deste ano. O assentamento ainda está em vias de implantação.

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