UPA de Maragogi será inaugurada, mas permanecerá fechada

UPA permanece fechada a cadeado, que enferruja (Fotos: Severino Carvalho)
UPA permanece fechada a cadeado, que enferruja (Fotos: Severino Carvalho)

Enfim, a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Maragogi será inaugurada. Resta definir a data (16 ou 19 deste mês) para que se adeque à agenda do governador Teotonio Vilela (PSDB), que faz questão de entregar pessoalmente a obra. Será uma das últimas solenidades, no apagar das luzes de oito anos de gestão.

O ato de inaugurar, porém, não significará o início das atividades. A UPA permanecerá de portões cerrados a cadeado, cuja ferrugem que o corrói denuncia o atraso de quatro anos para a entrega do equipamento, numa cidade desprovida de hospital e que submete moradores e turistas de várias partes do Brasil e do mundo a um atendimento precário numa acanhada Unidade Mista de Saúde. Maragogi é o segundo maior polo hoteleiro do Estado.

A instalação da UPA de Maragogi só foi iniciada em 2012, dois anos após a assinatura da ordem de serviço pelo então secretário de Estado da Saúde, Herbert Motta, em agosto de 2010. A obra, orçada em R$ 2.396.625,75, sofreu atraso e o prazo de 90 dias para conclusão não foi cumprido.

A estrutura física – de responsabilidade do governo do Estado – só ficou pronta no final de janeiro deste ano. O prefeito de Maragogi, Henrique Peixoto (PSD), disse que pretende colocar a UPA em funcionamento até o fim de janeiro do próximo ano. Ele argumentou que precisa concluir a última etapa do processo de licitação destinado à compra do restante dos equipamentos e capacitar todos os funcionários que trabalharão na Unidade.

“No próximo dia 12 faremos a última licitação para concluir a montagem da estrutura de móveis e de equipamentos hospitalares. Teremos também de promover o treinamento de funcionários e fazer a instalação do sistema. A previsão é que até o final de janeiro a UPA esteja funcionando”, estima Henrique Peixoto.

A Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) informou que o governo do Estado enviou parte dos equipamentos, no valor de R$ 148.715,30, e repassou ao município o valor de R$ 530 mil em espécie para a compra do restante. O prefeito, entretanto, reconhece que o município teve dificuldades para realizar a licitação.

Mato avanço sobre estrutura da UPA de Maragogi, que permanece fechada
Mato avanço sobre estrutura da UPA de Maragogi, que permanece sem funcionar

“Colocar toda essa estrutura para funcionar é complexo”, admite Henrique Peixoto. Ele revelou que teve de cancelar uma das licitações porque os equipamentos que seriam entregues pela empresa que venceu o certame não estavam dentro das especificações técnicas exigidas.

Enquanto aguarda a chegada do restante dos equipamentos, o município promoverá o treinamento dos recursos humanos que serão empregados na UPA. O corpo médico que atende na Unidade Mista de Saúde Maria Vicência, no centro da cidade, e todos os demais profissionais da área de saúde serão relocados para a UPA.

“A Unidade Mista funcionará apenas como casa maternal, mas deixarei lá dois leitos de reserva para internação, que podem servir à UPA. Teremos que contratar mais profissionais, mas, por outro lado, com a UPA em funcionamento teremos uma economia significativa com combustível em razão das transferências diárias a Maceió para levar pacientes. Essas viagens deixarão de acontecer com tanta frequência”, considerou o prefeito.

Henrique Peixoto revelou, ainda, que as negociações com o prefeito de Japaratinga, Newberto Neves, estão bem avançadas no sentido de firmar um convênio com aquele município para que pacientes da cidade vizinha também possam ser atendidos na UPA de Maragogi.

“Como a nossa UPA é do tipo 1, não adianta firmar parceria com mais municípios, porque não teremos condições de atendê-los. No mais, já iniciei as conversas com o governador eleito, Renan Filho (PMDB), que sinalizou com a possibilidade de nos ajudar para manter a UPA de Maragogi em funcionamento”, afirmou Peixoto.

Governo entrega 9 UPAS

Instalação da UPA de Maragogi só foi concluída quatro anos após a assinatura da ordem de serviço
Instalações físicas da UPA de Maragogi só foram concluídas quase quatro anos após a assinatura da ordem de serviço

A Superintende de Atenção à Saúde, Aparecida Auto, enfatizou que quando a UPA de Maragogi começar a funcionar será gerenciada pela Prefeitura Municipal. O custeio é realizado de forma tripartite, pelos governos federal, estadual e municipal.

Segundo portaria do Ministério da Saúde (MS), já pactuada com o Executivo municipal, caberá ao governo do Estado repassar 25% dos recursos para a manutenção da UPA de Maragogi. O Governo Federal ficará responsável por 50% dos recursos referentes ao custeio e caberá à Prefeitura de Maragogi a complementação dos 25% restantes.

Aparecida reforça que o governo do Estado cumpriu com o seu papel de construir e equipar a UPA, mas cabe a cada município que for recebê-la, gerir a unidade. “No caso de Maragogi o Estado repassou os recursos e o município fez a licitação”, destacou ela.

A superintendente informou, ainda, que o governador fará, além de Maragogi, a entrega de outras quatros UPAS em Alagoas: duas em Maceió, uma em Delmiro Gouveia e outra em São Miguel dos Campos.

“O governo do Estado não mediu esforços para inaugurar as UPAS em Alagoas. No total, o governador Teotonio Vilela deixará nove UPAS construídas e equipadas, além da UPA de Coruripe, construída no Hospital Carvalho Beltrão, mas que o Estado participa na manutenção”, declarou Aparecida.

Na avaliação dela, as UPAS de Maceió serão de fundamental importância para a melhoria na assistência aos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) e na diminuição da sobrecarga do Hospital Geral do Estado (HGE), em Maceió.

“Foi um trabalho árduo, construído junto às prefeituras, mas que, com certeza, irá melhorar a estrutura da saúde pública, como já vem acontecendo em Penedo, Viçosa, Marechal e Palmeira dos Índios, municípios que já possuem as UPAS em funcionamento”, finalizou Aparecida.

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