Sete localidades enfrentam desabastecimento d’água

Caminhões-pipa abastecem comunidades afetadas pelo desabastecimento (Foto: Carlos Rosa / Gazeta de Alagoas)
Caminhões-pipa abastecem comunidades afetadas pela falta de água (Foto: Carlos Rosa / Gazeta de Alagoas)

Sete localidades de Maragogi, no Litoral Norte de Alagoas, já enfrentam o desabastecimento de água. De acordo com o núcleo local da Companhia de Saneamento de Alagoas (Casal), a situação se agravou depois que um dos oito poços artesianos que abastecem o município litorâneo apresentou baixa vazão. Um segundo já fora tirado de operação porque salinizou.

“Sem contar que a demanda aumentou bastante neste verão. A cidade é turística e as casas de veraneio estão lotadas com até 20 pessoas. O consumo de água é absurdo”, observou a chefe do núcleo da Casal, em Maragogi, Lucineide Mendes, em entrevista ao jornal Gazeta de Alagoas . De acordo com ela, os moradores estão revoltados. Eles ameaçam apreender e incendiar os caminhões-pipa que a Companhia disponibilizou, há cerca de 15 dias, justamente para socorrer as comunidades afetadas pelo desabastecimento.

Essa semana, técnicos do setor de Pitometria da Casal estiveram em Maragogi onde mediram a vazão dos sete poços em operação. Segundo Lucineide, o diagnóstico do sistema servirá para que a Casal adote medidas que visam a melhoraria da qualidade no fornecimento d’água em Maragogi.

As comunidades que enfrentam o desabastecimento são: Rua do Cemitério, Alto da Boa Vista, Cerâmica, Madeira de Lei, Parque dos Coqueiros, Antunes e Xaréu. Em algumas dessas localidades, a falta d´água já dura três meses.

Todo o sistema de abastecimento de água em Maragogi é calcado em poços artesianos. Dos oito existentes, o de maior vazão salinizou por conta da proximidade com o litoral e foi tirado de operação há cerca de dois anos. Em substituição, a Casal anunciou, no início do ano passado, a perfuração de um novo poço, mas o processo licitatório não foi concluído e o projeto deixou de ser executado.

No dia 27 de dezembro de 2014, a bomba do poço de número sete apresentou defeito. Após o conserto, verificou-se que a unidade apresentava baixa vazão, aumentando de quatro para sete as comunidades desabastecidas.

Em entrevista concedida à rádio Maragogi FM, esta semana, o superintendente da Casal para o Interior do Estado, Antônio Fernando do Nascimento, reconheceu a deficiência do sistema e garantiu que a Companhia trabalha para elevar a vazão dos poços existentes.

“Hoje estamos no limite. Quando chega a população flutuante, aí a coisa realmente complica. Nesse momento, trabalhamos para aumentar a produção dos poços que existem, substituindo os equipamentos por outros mais potentes”, disse Fernando. A solução definitiva, segundo ele, seria o aproveitamento do manancial de superfície em substituição ou complementação ao sistema de captação por poços artesianos.

O superintendente revelou que os estudos nesse sentido já foram realizados há dois anos, mas que se trata de um projeto caro e que depende de mobilização política. O sistema de captação e tratamento d’água funcionaria na Fazenda Cachoeira, em Maragogi, onde existe um riacho. Ele abasteceria este município e Japaratinga, que também enfrenta dificuldades.

São Bento

O distrito de São Bento, abastecido pelo Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE), também foi afetado pelo desabastecimento. Parte dos moradores está sem água nas torneiras desde o início do ano. “Até o Natal ainda tínhamos água, mas, depois, faltou e não chegou mais. Meu marido quando chega do trabalho é que vai buscar água na cabeça por aí”, reclamou a dona de casa Bernadete da Silva. A direção do SAAE alegou que o aumento do consumo provocou o colapso no sistema.

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