Sem-terra feridos fazem exames no IML

Feridos, os sem-terra receberam atendimento no Hospital Municipal de Joaquim Gomes (Foto: jgnoticias.com)
Feridos, os sem-terra receberam atendimento no Hospital Municipal de Joaquim Gomes (Foto: jgnoticias.com)

Atualizada às 19h10

Quatro trabalhadores rurais do Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST) foram submetidos, na tarde desta terça-feira, a exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML) de Maceió. Feridos no confronto com a Polícia Militar (PM), durante a desocupação do prédio da prefeitura de Joaquim Gomes, eles estiveram também na Ouvidoria da Secretaria de Defesa Social, onde denunciaram os supostos excessos cometidos durante a ação policial.

“Vamos aonde for necessário para denunciar essa covardia que fizeram conosco para que isso não volte a acontecer”, afirmou Valmir Carlos de Lima, da coordenação estadual do MLST. Durante a desocupação da prefeitura, ocorrida na tarde de segunda-feira (21), seis trabalhadores rurais ficaram feridos. Dois sofreram apenas ferimentos leves.

Com marcas de bala de borracha pelo corpo, quatro deles foram atendidos no Hospital Municipal de Joaquim Gomes, além de uma gestante, que inalou bastante fumaça. Após receberem curativos, as vítimas seguiram para a 10ª Delegacia Regional de Polícia Civil, em Novo Lino, onde foi confeccionado um Boletim de Ocorrência (BO). Durante a desocupação, os policiais do Pelopes usaram balas de borracha, bombas de efeito moral e de gás lacrimogêneo, denunciaram os sem-terra.

Na manhã desta terça, o grupo saiu de Joaquim Gomes por volta das 11 horas em direção à capital do Estado. Os trabalhadores rurais, acompanhados de lideranças do MLST, estiveram primeiro na Ouvidoria e, por volta das 16 horas, chegaram ao IML, onde foram realizados os exames em: Abraão Júnior, 42 anos; Cícera Maria da Silva, 57; Valdenilson Firmino da Silva, 43; e Antônio Ângelo da Silva, 57.

Por conta da viagem a Maceió, a coordenação do MLST decidiu suspender a reunião agendada para esta terça-feira com a prefeita de Joaquim Gomes, Ana Genilda Couto Costa (PMDB). Na pauta, estão os pedidos de melhorias estruturais nas áreas de assentamento e acampamento instalados na zona rural daquele município, o que motivou a ocupação do prédio da prefeitura, na segunda-feira.

PM

O comandante da 2ª Cia, major José Roberto Medeiros de Cerqueira, argumentou que antes da evacuação, autorizada pela Justiça, os policiais tentaram negociar a saída pacífica dos manifestantes, mas houve resistência.

“Usamos armas não letais, apropriadas para esse tipo de ação. Se alguém se feriu, foi consequência da resistência”, afirmou o major Cerqueira. Ainda de acordo com ele, os manifestantes faziam uso de bebidas alcoólicas durante a ocupação e teria acendido uma fogueira dentro da prefeitura. O MLST nega as acusações.

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