MVT quer reunião para discutir futuro de famílias despejadas

Famílias deixam imóveis em cumprimento a mandado de reintegração de posse (Foto: Severino Carvalho)
Famílias deixam imóveis em cumprimento a mandado de reintegração de posse (Foto: Severino Carvalho)

O coordenador estadual do Movimento Via do Trabalho (MVT), Marcos Antônio da Silva, o “Marrom”, informou que na próxima terça-feira (30) vai se reunir com a prefeita de Joaquim Gomes, Ana Genilda Costa Couto (PMDB), para tratar do futuro das 315 famílias despejadas hoje de um conjunto habitacional edificado através do Programa da Reconstrução, naquele município. Marrom deseja saber qual o prazo para entrega dos imóveis, que ainda precisam ser concluídos, e se há um projeto para a construção de mais unidades habitacionais.

“Joaquim Gomes tem uma situação diferente dos demais municípios atendidos pelo Programa da Reconstrução, voltado às vítimas da enchentes de 2010. Aqui, foram cadastradas mil famílias e construídas apenas 315 casas. Não houve um consenso entre a prefeitura e a Caixa Econômica Federal (CEF)”, disse Marrom, que acompanhou a execução do mandado de reintegração de posse.

As famílias concordaram em desocupar os imóveis pacificamente depois de uma negociação com o Centro de Gerenciamento de Crises, Direitos Humanos e Polícia Comunitária (CGCDHPC) da Polícia Militar de Alagoas (PM/AL). O conjunto estava ocupado pelo MVT desde o dia 19 de maio.

Durante o despejo, foram mobilizados cerca de 170 policiais militares de diversos batalhões. O Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ/AL) escalou oito oficiais para dar cumprimento ao mandado de reintegração de posse expedido em julho pelo juiz da Comarca de Joaquim Gomes, Gilvan de Santana. A ação foi interposta pela empreiteira Critério Engenharia LTDA.

A empresa alegou que precisa concluir as casas para entregá-las aos verdadeiros donos e disponibilizou dez caminhões empregados nas mudanças. A quantidade de veículos, porém, foi considerada pequena. A tendência é que 30% das famílias só deixem o conjunto habitacional nesta quarta-feira (24).

A prefeita Ana Genilda confirmou a realização da reunião com as lideranças do MVT às 11 horas na sede do Poder Executivo municipal, na próxima terça-feira. Ela esclareceu, entretanto, que ao assumir a prefeitura interinamente em abril, refez o cadastro das famílias beneficiadas e que só as listadas terão direito aos imóveis.

“As 315 casas são suficientes para o povo de Joaquim Gomes. É bem verdade que muitas vivem de aluguel. Para estas, pretendo construir casas no mesmo conjunto, pois a área é extensa. O que aconteceu é que o movimento trouxe pessoas de outras cidades e dos sítios para ocupar as casas que são das vítimas das enchentes. Só os verdadeiros donos receberão as casas”, enfatizou a prefeita.

Ela informou que cedeu  o ginásio municipal de esportes para abrigar as famílias despejadas e garantiu que também vai viabilizar o pagamento de aluguel social às que, porventura, não encontrem espaço no abrigo provisório ou em casas de parentes.

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