Moradores encontram forma inusitada para protestar

Morador da rua, Rezende teve a ideia de fixar a placa para protestar (Fotos: Severino Carvalho)
Morador da rua, Rezende teve a ideia de fixar a placa para protestar (Fotos: Severino Carvalho)

Revoltados com o vazamento de esgoto da rede pertencente à Companhia de Saneamento de Alagoas (Casal), os moradores da rua Karol Wojtyla (Papa João Paulo II), em Maragogi, encontraram uma forma sarcástica e inusitada de protestar: rebatizaram o logradouro, agora denominado de “Rua da M….”.

A ideia partiu do policial civil Maurílio Rezende, que ali reside. Ele fixou num dos postes a placa com o novo endereço da rua. Rezende conta que os moradores sofrem com os vazamentos desde 2012, quando fez a primeira reclamação junto ao escritório local da Companhia, em Maragogi.

O problema, entretanto, nunca foi resolvido e, de acordo com o policial civil, a situação só agravou, sobretudo a partir de dezembro do ano passado.

“Ficou insustentável”, afirmou Rezende, lamentando o vazamento que põe em risco a saúde pública e o meio ambiente. O sistema da Casal entrou em colapso e esta semana o esgoto irrompeu pelos ralos das casas, alagando os cômodos das residências. Na manhã desta sexta-feira, a água fétida jorrava pelas caixas de visita e tomava a rua, que não é pavimentada.

Os moradores estão revoltados e decidiram que não mais pagarão a taxa de saneamento cobrada pela Companhia, que é de 80% sobre o consumo de água. Esta semana, um deles escreveu uma carta em tom de desabafo ao Presidente da Casal, Álvaro Menezes; ao diretor da Unidade Leste,  Fernando Nascimento e a chefe do Núcleo Maragogi, Lucineide Mendes.

“Minha residência foi invadida pelo esgoto, através do ralo do banheiro. Não consegui sequer entrar na minha casa. Uma situação que não desejo aos senhores, cuja empresa deveria cuidar do bem-estar dos cidadãos”, escreveu o morador.

Esgoto invadiu as casas e a rua
Esgoto da Casal invadiu as casas e a rua

Lucineide Mendes explicou que o vazamento ocorre porque a Estação Elevatória de Esgoto 4 (EEE-4) já não suporta o grande volume gerado pelas residências conectadas à rede. Isso acontece porque, em 2004, quando o projeto foi executado, havia pouquíssimas casas naquela região.

O problema se agravou depois que um hotel também se interligou à rede coletora de esgoto da Companhia, com a aprovação desta, sobrecarregando ainda mais a EEE-4.

“Não adianta: a solução é trocar a bomba por outra mais potente. O processo para aquisição já está em curso, mas a Casal não é uma empresa privada. É preciso fazer a licitação e isso leva um tempo”, explicou a chefe de Núcleo da Casal de Maragogi.

Segundo Lucineide, até que o equipamento seja comprado e instalado, o caminhão de sucção da Casal vai atuar no esvaziamento da rede, um serviço paliativo. Depois de coletado, o líquido será transportado até a estação de tratamento da Companhia, situada na zona rural do município.

“Estamos também tentando firmar uma parceria com o hotel para a compra imediata de uma bomba, até que a nossa seja adquirida e instalada”, revelou.

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