Mestre Tião do Samba é sepultado em Maragogi

Caixão funerário foi envolvido na bandeira de Alagoas (Foto: Severino Carvalho)
Caixão funerário foi envolvido na bandeira de Alagoas (Foto: Severino Carvalho)

O mestre do grupo de samba de matuto “Leão da Primavera”, Sebastião Amaro dos Santos, 81 anos, foi sepultado, hoje de manhã, no cemitério de São Bento, em Maragogi, Litoral Norte de Alagoas. Consternados, amigos e familiares se despediram de “Tião do Samba”, considerado Patrimônio Vivo de Alagoas, um reconhecimento aos mestres do folclore do Estado.

“É uma perda significativa, uma silenciada nas manifestações folclóricas do município”, avaliou Poliana Nascimento, instrutora do Senac na área de turismo e hotelaria. Uma das últimas apresentações de Tião do Samba foi justamente durante o encerramento de um curso do Pronatec, em que os formandos apresentaram um trabalho sobre o resgate cultural de Maragogi.

O mestre Sebastião morreu na manhã de segunda-feira (28), vítima de um Acidente Vascular Cerebral (AVC). O corpo foi velado na casa da família, em Barra Grande, e sepultado no cemitério do distrito de São Bento.

O caixão funerário chegou ao cemitério envolto numa bandeira do Estado de Alagoas. Representantes do Grupo da Melhor Idade de Barra Grande, onde Tião – com sua voz marcante – comandava as apresentações, prestaram homenagens ao mestre em forma de versos e orações. Nenhuma autoridade estadual ou municipal ligada à Cultura compareceu ao funeral.

“O mestre Sebastião era uma lenda viva do folclore de Maragogi”, salientou o vereador por Maragogi, Geraldo Cândido (PTB), o “Gera da Bicicleta”, que, ao lado do também vereador Mauro César de Souza (PMDB), o “César do Kita”, compareceu ao sepultamento.

“Para mim, perdi um amigo e um irmão”, lamentou o mestre Roberto Manoel dos Santos, 74 anos, o “Bié”, a quem coube a missão de manter vivo o Samba de Matuto de Maragogi. Em entrevista ao jornal Gazeta de Alagoas, edição desta terça-feira (29), autoridades ligadas à Cultura lamentaram a morte do mestre Tião.

“Quer perda lamentável”, considerou a servidora da Secretaria de Estado da Cultira (Secult), Josefina Novaes, integrante da Associação dos Folguedos Populares de Alagoas (Asfopal). “Os bons mestres de nossa cultura popular estão indo embora e não há quem os substitua. Em Alagoas, só existem dois grupos de Samba de Matuto: um em Massagueira e o outro em Maragogi, maravilhoso, que era dirigido pelo mestre Tião”, citou ela.

Mestre Tião era considerado Patrimônio Vivo de Alagoas (Foto: divulgação)
Mestre Tião era considerado Patrimônio Vivo de Alagoas (Foto: divulgação)

Em agosto de 2012, o mestre Sebastião recebeu da Secult o Registro de Patrimônio Vivo de Alagoas, um reconhecimento à importância do saber tradicional e popular que os mestres e mestras passam de geração em geração. Contava, desde então, com o benefício de uma bolsa de incentivo vitalícia, no valor de um salário mínimo e meio.

O secretário municipal de Cultura de Maragogi, Jádson Almeida, o “Jacó”, também lamentou a morte do mestre.

“O Tião estava lúcido e na ativa. Fez uma apresentação recentemente no encerramento de um curso do Pronatec, ressaltando a importância do Samba de Matuto para a nossa cultura popular. A morte dele nos pegou de surpresa. Foi uma perda grande”, disse Jacó. Ele informou que não teve condições de comparecer ao funeral porque se encontra doente, em Maceió.

O Samba de Matuto

No Samba de Matuto, o puxador (papel que cabia a Tião) canta acompanhado por um zabumbeiro, um ganzaleiro e um tocador de triângulo, enquanto um grupo de baianas dança, repetindo com suas vozes afinadas e agudas, as melodias entoadas pelo mestre. São versos religiosos, coisas do cotidiano, notícias de jornal, e construções de improviso.

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