Vândalos atacam Memorial Calabar em Porto Calvo

Estátua teve o braço arrancado por vândalos (Fotos: Severino Carvalho)
Estátua teve o braço arrancado por vândalos (Fotos: Severino Carvalho)

Estátuas que compõem o Memorial Calabar, em Porto Calvo, foram vandalizadas. Os criminosos picharam e arrancaram pedaços das imagens, destruíram bancos e luminárias das praças. A prefeitura municipal, que sequer providenciou a elaboração de um boletim de ocorrência, alega que não tem vigilantes em número suficiente para proteger o patrimônio.

Os atos de vandalismo foram mostrados na edição desta terça-feira da Gazeta de Alagoas.  O Memorial Calabar foi construído há cerca de dois anos pela prefeitura de Porto Calvo para reverenciar o herói nacional e resgatar a história de fundação da freguesia mais antiga de Alagoas, no século 16.

“É uma pena que isto esteja acontecendo. Trata-se de um crime contra a história de Porto Calvo”, considera o comerciante Joselito André de Souza, que possui uma lanchonete no Cais da Balsa, no bairro do Varadouro. Ali, foram instaladas estátuas que representam o vaivém de mercadorias transportadas pelos escravos até as barcaças ancoradas no Rio Manguaba e o administrador do porto, o Velho Calvo, que teria dado origem ao nome da cidade.

Orelhas do animal também foram destruídas
Orelhas do animal também foram destruídas

Os vândalos arrancaram partes das estátuas: orelhas dos animais, o pé de um cavaleiro, o chapéu de uma mulher e o bigode de outra figura. Nem a imagem do professor, jornalista e advogado Guedes de Miranda foi poupada. Em outras estátuas, a exemplo do Velho Calvo, os vândalos instalaram pênis feitos de barro. Um funcionário da prefeitura providenciou a remoção na manhã de segunda-feira.

Na semana passada, um cidadão tentou evitar que os vândalos destruíssem as imagens que representam a cena do garroteamento e morte de Domingos Fernandes Calabar, no Alto da Força, em frente ao Hospital Municipal São Sebastião. O homem foi agredido pelos criminosos e ainda continua internado no Hospital Geral do Estado (HGE), em Maceió, em estado grave.

Os vândalos destruíram ainda as luminárias e, à noite, fazem do local um ponto para o consumo de drogas ilícitas e para a prática do sexo. Até os orelhões foram destruídos. Quando o memorial foi inaugurado, há cerca de dois anos, contava com três vigilantes, um por turno, mas, na atualidade, o patrimônio encontra-se desprotegido, sem nenhum vigia.

Cordas da cena do garroteamento de Calabar foram subtraídas
Cordas e bastão da cena do garroteamento de Calabar foram subtraídas

Sequer um Boletim de Ocorrência foi feito pela prefeitura para denunciar os atos de vandalismo. A cidade não dispõe de Guarda Civil Municipal e segundo o secretário municipal de Segurança e Trânsito, Joaquim Spósito, não há vigilantes em número suficiente para proteger o memorial, o que só deverá ser providenciado com a realização de concurso público.

“Não adianta apenas colocar vigilantes, é preciso fazer um trabalho educativo com a comunidade”, propõe a assessora municipal de Cultura Rooseany Pontes. O diretor de Cultura, Adelmo Monteiro, garantiu que vai prestar queixa dos atos de vandalismo e solicitar da prefeitura a disponibilização de vigilantes para a proteção do patrimônio, bem como a instalação de câmeras.

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