Maragogi pode enfrentar colapso no abastecimento d’água

Moradora de Barra Grande acumula água em caixa (Fotos: Severino Carvalho)
Moradora de Barra Grande acumula água em caixa para evitar desabastecimento (Fotos: Severino Carvalho)

O município de Maragogi pode enfrentar um colapso no abastecimento d’água. É o que revela reportagem da Gazeta de Alagoas, edição deste sábado (01). Os oito poços artesianos em funcionamento já não conseguem suprir a demanda do município que possui quase cinco mil ligações domiciliares.

A Companhia de Saneamento de Alagoas (Casal) já opera o sistema por meio de rodízio desde setembro. E a situação só deve  piorar com a proximidade da alta estação turística, que começa dentro de 30 dias, quando a população do segundo maior polo hoteleiro do Estado praticamente duplica.

O rodízio já atinge cinco áreas: Barra Grande (distrito), Gamela de Barra Grande (bairro), Rua do Cemitério, Conjunto Aviário e Grota. Nessas localidades, o fornecimento é interrompido às 19 horas e normalizado às 5h30, em dias alternados. A solução a curto prazo foi anunciada pela Casal no ano passado: a perfuração de mais dois poços artesianos.

Na atualidade, o sistema em operação no município é totalmente feito por meio da captação de água do subsolo, através de poços artesianos. Um deles salinizou e foi desativado em 2012. Dos dois poços previstos, entretanto, apenas um foi perfurado pela Casal. Ele seria utilizado exclusivamente para reforçar o abastecimento do distrito de Barra Grande, mas sua vazão está sendo dividida entre esta localidade e o centro de Maragogi.

Apontada como solução definitiva para o déficit no abastecimento de Maragogi, a Casal anunciou, em 2012, a implantação de um sistema de captação e tratamento de água de superfície, aproveitando o potencial hídrico da Fazenda Cachoeira. O projeto, entretanto, permanece sem previsão para execução.

A escassez de água penaliza, sobretudo, os moradores do distrito de Barra Grande. No Conjunto “Madeira de Lei”, também conhecido como Invasão, os moradores acumulam água em recipientes diversos para minimizar os efeitos do desabastecimento. “A água só chega na parte baixa e muito fraca. A gente enche garrafa, balde, vasilhas e até panelinhas”, revelou a dona de casa Marlene Maria dos Santos, 34 anos.

Parte alta de Barra Grande já sofre com o desabastecimento
Parte alta de Barra Grande já sofre com o desabastecimento

Casal

De acordo com a moradora, nos feriados prolongados e durante o pico da temporada de verão, que vai do Natal ao Carnaval, a comunidade chega a ficar até uma semana sem uma gota d’água nas torneiras. “A falta de água é um problema antigo aqui. Já ficamos três meses na seca, só com o caminhão-pipa abastecendo a comunidade”, recordou a moradora.

Na casa de Adriele Bernardes há uma caixa d’água extra no piso da área de serviço que serve de reservatório para emergências. “A gente nunca sabe quando vai faltar água”, lamentou ela.

A Casal informou, através de sua assessoria, que o processo licitatório para a perfuração do segundo poço está em andamento. A previsão da Companhia é de que seja perfurado até o fim deste ano. A empresa acrescentou que, se necessário, caminhões-pipa serão acionados novamente, a exemplo do ano passado, mas que, no momento, não há necessidade para tal medida.

“A Casal está atenta à situação de Maragogi e empenhada em usar as alternativas disponíveis para resolver o problema de escassez de água da cidade”, informou a Companhia, por meio de sua assessoria de comunicação.

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