Incidência de AIDS se eleva em Maragogi e mobiliza órgãos de saúde

Secretaria Municipal de Saúde intensificou ações de combate à Aids com a realização de testes rápidos (Foto: Carlos Rosa / Gazeta de Alagoas)
Secretaria Municipal de Saúde intensificou ações de combate à Aids com a realização de testes rápidos (Foto: Carlos Rosa / Gazeta de Alagoas)

Entre os 102 municípios alagoanos, Maragogi é o quarto do ranking com maior incidência de Aids no Estado. O município do Litoral Norte de Alagoas tem 29 casos registrados da doença entre 2000 e 2013 e uma taxa de detecção bem acima da média estadual. As informações são da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) publicadas em reportagem da Gazeta de Alagoas, edição desta quinta-feira (18).

Para conter o agravamento do quadro, os órgãos de saúde estadual e municipal intensificaram as ações de combate à doença e investem, sobretudo, na prevenção e no tratamento. “Maragogi é porta de entrada, recebe um fluxo turístico muito grande, tanto nacional como internacional. Além disso, o município está na divisa com Pernambuco”, observou o coordenador de Vigilância em Saúde da Secretaria Municipal de Maragogi, José Lourenço Brotas Neto.

De acordo com ele, o primeiro caso detectado de Aids em Maragogi ocorreu em 2000, abrindo a série histórica com registros até 2012. De 2013 em diante, as notificações passaram a ser feitas no próprio município com a realização de testes rápidos nas unidades de saúde da rede de atenção básica.

Com isso, o município saltou de 18º lugar para a 4ª posição no ranking das cidades com maior incidência da doença em Alagoas. “O problema é a subnotificação. Se forem realizados os testes rápidos como Matriz do Camaragibe fez, vão aparecer muito mais casos”, comparou a psicóloga da Sesau, Simone Pinheiro.

Ela lembrou que Matriz ocupa o topo da lista com uma taxa de detecção da doença de 29, 5 casos para cada grupo de 100 mil habitantes, seguida de São José da Laje (21,8), Maceió (19,4) e Maragogi (16,8). A incidência em todo o Estado é de 9,7 casos por grupo de 100 mil. Segundo o último panorama da Aids em Alagoas, a categoria de maior exposição para os casos no Estado são os heterossexuais.

Ainda de acordo as informações divulgadas pela Sesau, todas as faixas etárias apresentam crescimento em relação ao vírus HIV, mas a de maior concentração é de 30 a 39 anos, seguida da faixa de 40 a 49 anos.

De acordo com o Ministério da Saúde, 734 mil pessoas vivem com HIV no Brasil. A incidência do vírus no país é 20,4 casos por grupo de 100 mil habitantes, sendo a maior incidência no público masculino que no feminino, com 26,9 e 14,1 casos em 100 mil habitantes, respectivamente.

Ações

Campanha 02O coordenador de Vigilância em Saúde lembrou que portaria do Ministério da Saúde, publicada este ano, estabelece que o trabalho de detecção, notificação e investigação de casos passou a ser de responsabilidade dos municípios. Dessa forma, a Secretaria Municipal de Saúde intensificou as ações através da realização de testes rápidos na rede de atenção básica e por meio de campanhas a exemplo do “Dezembro Vermelho”, iniciada na última segunda-feira.

A campanha de luta contra a Aids prevê, também, ações como testes rápidos para a identificação de outras Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs), a exemplo de hepatites virais, sífilis, além de promover orientações, diagnóstico e tratamento das enfermidades.

Na Unidade de Saúde Eurico Acioly Wanderley, onde a campanha foi iniciada na última segunda-feira, o atendimento aconteceu das 9 h às 15 horas e atraiu muitas pessoas. Foram realizados 70 testes com um caso positivo para Aids e quatro para sífilis.

Na quarta-feira (17), as ações foram realizadas na igreja do Assentamento Nova Jerusalém, das 8 h às 13 horas, no distrito de Peroba. Foram realizados 30 testes rápidos e houve apenas uma detecção para sífilis.

A criação do Dezembro Vermelho é uma iniciativa da Organização das Nações Unidas (ONU) e da Organização Mundial de Saúde (OMS). “As pessoas precisam procurar a rede para fazer o teste. Uma vez detectada a doença, o paciente com HIV é encaminhado para tratamento em Maceió nas unidades de referência e recebe o acompanhamento devido. Tomando os medicamentos, é possível conviver com a doença e ter uma melhor qualidade de vida”, destacou Lourenço.

“O principal de tudo é a prevenção, a qualidade da informação levada à população. Por outro lado, com o Projeto Saúde Sempre à Mão, a Sesau aumentou em 100% a quota de preservativos distribuídos aos municípios em todo o Estado, ajudando no combate ao aparecimento de novos casos. Outra forma de combate à doença é seguir o tratamento correto com as drogas retrovirais. Em 45 dias, o paciente pode não ter mais o vírus identificado na corrente sanguínea, bloqueando a cadeia de contaminação”, acrescentou Simone Pinheiro.

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