Escolas da região Norte são destaques negativos

Reforma na extensão da Batista Acioli transcorre com livros jogados no chão (Fotos: Severino Carvalho)
Reforma na extensão da Batista Acioli, em Maragogi, transcorre com livros jogados no chão (Fotos: Severino Carvalho)

Reportagem especial da Gazeta de Alagoas, deste domingo, mostrou o caos que se instalou no sistema público educacional de Alagoas. São dados, números e opiniões de especialistas que retratam a falência da rede de ensino, fazendo com que o Estado obtenha o pior Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) em todas as séries, a maior taxa de analfabetismo do país e a última posição na pontuação do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa).

Três escolas da região Norte de Alagoas foram destaques na reportagem especial. Destaques negativos, diga-se de passagem. Na Saturnino de Souza, em Matriz do Camaragibe, a Gazeta constatou que a reforma  promovida pelo governo do Estado não passou de uma maquiagem.

A obra custou aos cofres públicos estaduais R$ 297.228,86. A Gazeta de Alagoas teve acesso à planilha detalhada dos custos da obra (cronograma físico-financeiro) e ao relatório de especificações técnicas feito pela empreiteira contratada pelo Estado. Conforme o cronograma, a reforma seria executada em 90 dias, mas durou mais de oito meses.

Na Saturnino de Souza, em Matriz, portão de ferro que deveria ser substituído foi reaproveitado
Na Saturnino de Souza, em Matriz, portão de ferro que deveria ser substituído foi reaproveitado

O tempo porém não foi suficiente para a execução correta da obra. Nos banheiros, apenas as portas foram trocadas. Um balcão de mármore chegou a ser posto no local, mas as torneiras jamais foram instaladas. Conforme o projeto, todas as ferragens para esquadrias de madeira e serralharias seriam inteiramente substituídas por peças novas. Não foi o que aconteceu.

Os portões de ferro, por exemplo, foram reaproveitados: receberam pintura nova e foram reinstalados em seguida, contrariando o projeto.  Só com esquadrias e aberturas, o governo do Estado pagou, à empreiteira, R$ 25.762,77, conforme o cronograma físico-financeiro.

Cena dantesca

Em Maragogi, a reportagem se deparou com uma cena dantesca: livros didáticos forravam o chão de duas salas de aula da extensão da Escola Estadual Batista Acioli. A unidade passa por reforma e por isso todas as turmas do 1° ano do Ensino Médio ainda não iniciaram o ano letivo.

O prédio-sede, na Praça Batista Acioli, com apenas cinco salas de aula, tornou-se pequeno para os mais de mil estudantes. O excedente teve de ser remanejado ao casarão localizado na Praça Guedes de Miranda, no centro da cidade.

Em São Luís do Quitunde, o prédio histórico da Escola Estadual Messias de Gusmão permanece há 14 anos entregue ao desprezo. O telhado desabou durante o rigoroso inverno de 2000 e o imóvel foi tomado pelo mato. Nos fundos do prédio, jaz o mobiliário imprestável que um dia serviu aos estudantes.

Fátima lamenta o destino dado ao prédio histórico da Escola Estadual Messias de Gusmão
Fátima lamenta o destino dado ao prédio histórico da Escola Estadual Messias de Gusmão, em São Luís do Quitunde

“Eu lembro que essa escola tinha o piso de madeira, as salas eram bastante amplas e tinham uns janelões”, lembrou Maria de Fátima Medeiros que, além de estudar, trabalhou na escola como merendeira. Para ela, o governo do Estado já deveria ter tombado e restaurado o imóvel, construído em 1923, na Avenida Doutor Fernando Sarmento.

A coordenação do caderno especial ficou por conta do jornalista Maurício Gonçalves e os textos são dos repórteres Elisana Tenório, Jonathas Maresia, Maurício Gonçalves, Milena Andrade, Severino Carvalho e Wagner Melo.

A edição foi feita pela jornalista Mariana Vilela e as imagens são dos repórteres fotográficos Dárcio Monteiro, Felipe Brasil, José Feitosa, Marcelo Albuquerque e Severino Carvalho. No próximo domingo, a Gazeta trará mais um caderno especial acerca do tema educação, finalizando a série de reportagens.

 

 

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