Delegacias de AL enfrentam escassez de alimentos

Em Matriz, presos voltaram a receber alimentação de seus familiares (Foto: Severino Carvalho)
Em Matriz, presos voltaram a receber alimentação de seus familiares (Fotos: Severino Carvalho)

Delegacias do interior de Alagoas não dispõem de alimentação suficiente para ofertar aos presos sob custódia do Estado. O caso veio à tona depois que 31 detentos da Delegacia Regional de Polícia Civil (8ª DRPC), em Matriz do Camaragibe, ameaçaram se rebelar, esta semana, por causa da escassez de alimentos. Em Joaquim Gomes, o delegado municipal revelou que “gasta do próprio bolso” para não deixar os presos mal alimentados. A direção da Polícia Civil informou que o fornecimento será normalizado em breve.

Em Matriz do Camaragibe, só há estoque suficiente para os próximos dois dias. Há semanas que a dieta dos presos se resume a macarrão e arroz. Diante da situação, o delegado regional, Belmiro Cavalcante, teve de aceitar doações do comércio local e autorizar a entrada de alimentos enviados pelos familiares dos presos. A prática estava proibida por questões de segurança.

O procedimento havia sido suspenso para evitar a entrada de drogas, celulares e de armas na carceragem, onde já foram registradas diversas fugas e tentativas perpetradas com o auxílio de ferramentas e objetos externos que entram no xadrez escondidos dentro de alimentos e bebidas, inclusive celulares, chips de telefonia móvel e drogas.

“Tive de liberar a entrada de alimentos por que o clima tava ficando insustentável aqui dentro”, revelou o delegado, em entrevista ao jornal Gazeta de Alagoas, edição desta sexta-feira.

Alimentos e produtos de higiene pessoal só entram na carceragem depois de  inspeção
Alimentos e produtos de higiene pessoal só entram na carceragem depois de inspeção

A escassez de alimentos também afeta outras delegacias em Alagoas, a exemplo de Joaquim Gomes, onde seis pessoas estão encarceradas. Segundo o delegado municipal, Jorge Barbosa, o mercadinho que fornecia os produtos à delegacia suspendeu o abastecimento desde fevereiro por falta de pagamento.

“Eu tiro do próprio bolso para não ver os presos passarem fome”, revelou Barbosa, cuja delegacia não possui viatura.

A Polícia Civil informou, por meio de sua assessoria, que o processo licitatório, a adesão e o registro de ata de preço para aquisição de gêneros alimentícios estão sendo concluídos com objetivo de, em breve, restabelecer o fornecimento de alimentos às delegacias de Polícia Civil de Alagoas.

“Informaram que uma compra emergencial será feita e que, em 15 dias, o fornecimento de alimentos será normalizado”, complementou o delegado regional de Matriz do Camaragibe.

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