Crescem casos de fogo em vegetação na região Norte

Homem põe fogo em plantação de bananeiras à margem da AL-101 Norte (Fotos: Severino Carvalho)
Homem põe fogo em plantação de bananeiras à margem da AL-101 Norte (Fotos: Severino Carvalho)

De novembro de 2014 a janeiro deste ano, o 2º Grupamento de Bombeiros Militar (2º GBM), sediado em Maragogi, combateu 24 focos de incêndios provocados por queimadas feitas com a finalidade de limpar terrenos na região Norte de Alagoas. Os casos classificados como “Fogo em Vegetação” tiveram um aumento de mais de 100%, se comparado ao período anterior. Foi o que revelou reportagem da Gazeta de Alagoas, edição do dia 22.

Isso sem contar os inúmeros incêndios não registrados, em que o 2º GBM não é acionado pela população. De Porto Calvo a Maragogi, é possível observar, às margens das rodovias estaduais, diversos pontos onde a vegetação foi destruída pelo fogo. A folhagem ressequida e os troncos calcinados de cajueiros, de mangabeiras e até do manguezal denunciam a prática condenável, muitas vezes usada para a ocupação irregular de terrenos.

O fogaréu calcina os nutrientes do solo, destrói a fauna e a flora, além de representar riscos ao patrimônio e à vida humana. De acordo com o tenente do Corpo de Bombeiros (CB), Dilson de Oliveira Cavalcante, os incêndios acontecem geralmente quando indivíduos colocam fogo na vegetação para limpar terrenos e propriedades rurais e as chamas saem do controle.

“Essa prática das queimadas para limpar terreno parece ser cultural por aqui, mas não deveria acontecer”, condenou o tenente Cavalcante. De acordo com ele, o fogo geralmente sai do controle e se converte em incêndio em decorrência das condições climáticas desta época do ano, quando a temperatura se eleva e os ventos sopram com mais intensidade.

“A vegetação ressecada também contribui bastante e o fogo se espalha rapidamente, podendo causar um incêndio de grandes proporções. A fumaça é tóxica e pode prejudicar a saúde das pessoas que a inalarem”, observou o oficial.

Árvores são consumidas pelo fogo fora de controle
Árvores são consumidas pelo fogo fora de controle

O agrônomo Emanuel Estelita também condena a prática. “Limpar um terreno com fogo sem dúvidas pode ser mais rápido e mais barato, mas traz consequências para o solo, que perde seus nutrientes por causa da alta temperatura a que é submetido”, alertou.

No início deste ano, um incêndio destruiu parte do manguezal existente entre os bairros Patum e Gamela de Barra Grande, em Maragogi. Outro foco afetou a vegetação rasteira da praia de Japaratinga, nas proximidades do Rio Salgado, num dos trechos mais belos do Litoral Norte, à margem da AL-101.

Uma cortina de fumaça invadiu a pista, dificultando a visibilidade dos motoristas. O fogo utilizado para limpar um sítio de coqueiros também aniquilou a salsa de praia que protege a costa contra o avanço do mar.

Sobrecarga

No ano passado, o fogo utilizado para a limpeza de um terreno se alastrou e causou o incêndio que destruiu um bangalô de uma pousada no povoado de Porto da Rua, em São Miguel dos Milagres, Litoral Norte de Alagoas. Não havia hóspede no interior do chalé e ninguém se feriu, mas a gerência do estabelecimento hoteleiro relatou um prejuízo de R$ 70 mil.

Fumaça invade pista e dificulta visibilidade dos motoristas
Fumaça invade pista e dificulta visibilidade dos motoristas

O combate aos focos de “fogo em vegetação” também sobrecarrega a tropa do 2º GBM. Os militares que poderiam estar agindo em outras ocorrências – a exemplo do resgate de vítimas de acidente de trânsito – passam horas e horas tentando debelar as chamas dos incêndios provocados.

Em 2012, os militares do 2º GBM levaram cerca de oito horas para conter um incêndio em vegetação no povoado de Ponta de Mangue, em Maragogi. O fogaréu devorou árvores frutíferas, remanescentes de Mata Atlântica, uma vasta área de várzea e por pouco não atingiu as casas de um vilarejo vizinho.

“A nossa orientação é para que não façam a limpeza dos terrenos utilizando fogo. Pode ser muito perigoso”, alertou o tenente do Corpo de Bombeiros Os números telefônicos para chamadas de emergência do 2º GBM são: (82) 3296-2026 / 2270 e 8833-8555.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *