Rodovias têm média de 1 quebra-mola a cada 2,1 km

Quebra-mola na rodovia AL-101 Norte, em Maragogi (Fotos: Severino Carvalho)
Quebra-mola na rodovia AL-101 Norte, em Maragogi (Fotos: Severino Carvalho)

O excesso de quebra-molas entre Maceió e Maragogi foi tema de reportagem do jornal Gazeta, edição de domingo (13). São pelo menos 60 lombadas físicas entre a capital e o segundo polo hoteleiro de Alagoas, o que daria uma média de um redutor de velocidade a cada 2,1 quilômetros, levando em consideração os 130 km de extensão do conjunto de rodovias que interligam as duas cidades.

A reportagem mostrou que o número de lombadas físicas aumenta na mesma proporção em que as populações se aproximam das vias e ocupam suas faixas de domínio de forma irregular, expondo-se ao risco de acidentes.

Depois de instaladas, essas comunidades sentem a necessidade, para se proteger, de reivindicar os redutores de velocidade ao Departamento de Estradas de Rodagem (DER), em razão dos acidentes de trânsito; atropelamentos em sua maioria.

Só este ano, ocorreram quatro manifestações com fechamento de pista para reivindicar quebra-molas nos município de Maragogi, Porto Calvo e Matriz do Camaragibe. O último protesto aconteceu neste município, no dia 1º de abril. Após o sepultamento do estudante José Nicolas Laurindo do Santos, 13 anos, que morreu atropelado na AL-105, amigos e familiares da vítima decidiram interditar a pista para cobrar a instalação de, ao menos, mais duas lombadas físicas no trecho que corta o perímetro urbano.

“Só bloqueando a pista mesmo para o DER vir aqui e tomar uma providência”, argumentou Andressa da Silva, prima de Nicolas. Conforme a reportagem da Gazeta, o Departamento vem cedendo às pressões das comunidades. Ao invés de instalar redutores eletrônicos de velocidade, de investir em educação para o trânsito e combater o uso irregular das margens das rodovias, espalha quebra-molas pelos quatro cantos.

“Você não consegue desenvolver a velocidade do veículo e logo tem de parar, trocar as marchas do caminhão, que não são poucas. Essa manobra gasta o sistema de embreagem, de freio e aumenta o consumo de combustível”, reclama o motorista José Antônio da Silva, 35 anos.

O presidente do Grupo de Receptivos de Alagoas (GRAL), Alfonso Dacal, afirmou que a instalação de quebra-molas por parte do DER deveria ser mais criteriosa. Ele classificou como “absurda” a quantidade de lombadas físicas nas estradas alagoanas e denuncia que, sem parâmetros, os redutores de velocidade têm efeito contrário: são causadores de acidente.

“Temos um caso em que um passageiro nosso bateu com a cabeça no teto do ônibus depois que um motorista passou sobre o quebra-mola com tudo porque não havia sinalização. O cidadão teve um trauma na coluna. Muitas dessas lombadas estão fora dos padrões: instaladas em trechos de ladeira e com um tamanho exagerado”, reclamou Dacal, cujo grupo congrega empresas que fazem o transporte de turistas em Alagoas.

O engenheiro civil Vinícius Maia Nobre acredita que só com investimentos em educação para o
trânsito o número de acidentes irá diminuir.

“As faixas de domínio do DER foram sendo ocupadas irregularmente, apesar da existência de uma lei estadual (N° 6651/2005,) que proíbe a invasão delas. Hoje, a principal reivindicação dos municípios é instalação de quebra-molas, que vão se espalhando por todos os lados”, afirmou Maia Nobre.

DER

Distrito de Peroba em Maragogi recebeu sinalização para mais dois quebra-molas
Distrito de Peroba, em Maragogi, recebeu sinalização para mais dois quebra-molas

O diretor de transporte e trânsito do DER, Alexandre Tenório, esclarece que a instalação das lombadas físicas acontece, geralmente, quando existe uma solicitação da comunidade. O pedido, entretanto, precisa ser avaliado.

“Caso isso (reivindicação) ocorra, o DER realiza o estudo técnico do local para averiguar a possibilidade da construção”, explicou Tenório.

Segundo ele, o Código Brasileiro de Trânsito (CBT) autoriza a construção de lombadas físicas nas rodovias somente em casos especiais. Para isso, o órgão responsável precisa realizar estudos técnicos que atestem a viabilidade.

Há dois anos, o DER anunciou a instalação de lombadas eletrônicas ao longo do corredor viário que interliga as cidade de Maragogi e Maceió, mas até agora isso não aconteceu.

Tenório esclareceu que, atualmente, o DER monitora, em Alagoas, 32 faixas de rodovias por meio das lombadas eletrônicas. Segundo ele, um processo licitatório foi aberto para a instalação de mais equipamentos. O diretor revelou que os documentos se encontram com o Tribunal de Contas do Estado (TCE), à espera de avaliação e aprovação.

“Após a aquisição dos novos equipamentos, serão monitoradas cem faixas. Já foi realizado um estudo preliminar que identificou os trechos que poderão receber o equipamento, porém o estudo poderá ser reavaliado pelos técnicos do órgão de acordo com o fluxo das rodovias. Entretanto, já se sabe que trechos das rodovias AL-101 Norte e Sul e a AL-220 (Arapiraca) serão atendidos”, declarou.

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