Construções irregulares avançam em área de manguezal

Casas de alvenaria surgem onde antes existia o mangue (Foto: Carlos Rosa / Gazeta de Alagoas)
Casas de alvenaria surgem onde antes existia o mangue (Foto: Carlos Rosa / Gazeta de Alagoas)

As ocupações e construções irregulares nos fundos do Conjunto Habitacional Virgem dos Pobres, em Maragogi, Litoral Norte de Alagoas, seguem a todo vapor. É o que denuncia reportagem da Gazeta de Alagoas, edição desta terça-feira (23). O manguezal está sendo extraído e aterrado para dar lugar a casas de alvenaria.

Segundo uma moradora que pediu para não ser identificada, as casas estão sendo levantadas por pessoas que já possuem moradia. De acordo com ela, as construções irregulares impedem que a água da chuva siga seu curso normal, alagando as residências do conjunto habitacional, construído pelo governo do Estado para abrigar as vítimas das enchentes de 2000.

“Quando chove, entra água em nossas casas porque não tem para onde a água escoar. São pessoas que já tem casas que estão construindo aqui. Tem uma feita dentro do mangue mesmo”, denunciou a moradora.

Em junho, a Gazeta já havia denunciado a supressão do manguezal e o aterro da área para a instalação de moradias precárias (barracos), plantações de bananeiras e criadouros de animais. Naquela ocasião, foram apreendidas madeiras extraídas da Área de Preservação Permanente (APP), parte integrante da APA Costa dos Corais, maior unidade de conservação marinha do País.

Em agosto, a Gazeta voltou a denunciar as construções irregulares, oportunidade em que a chefia da APA Costa dos Corais anunciou que faria uma inspeção no local, o que até agora não aconteceu. Enquanto isso, as construções e os crimes ambientais só avançam de manguezal a dentro. Duas casas já estão prontas e uma em fase final de acabamento. Há também diversos pontos onde é possível verificar a supressão da vegetação nativa e o aterro do mangue, considerado berçário para várias espécies marinhas e estuarinas.

“Vou conversar com o pessoal do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) para ver o que podemos fazer”, afirmou a secretária municipal de Meio Ambiente de Maragogi, Edjanete Cândido.

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