Chuvas agravam situação das rodovias no Litoral Norte

Erosão avança sobre o asfalto da AL-465, em Japaratinga (Fotos: Severino Carvalho)
Erosão avança em direção ao centro da AL-465, em Japaratinga (Fotos: Severino Carvalho)

As chuvas de inverno agravaram a situação da malha rodoviária que corta o Litoral Norte de Alagoas. As rodovias AL-465 e AL-101 Norte, entre Porto Calvo e Maragogi, na divisa com Pernambuco, são as mais castigadas. Um imbróglio jurídico e o próprio período invernoso impedem o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) de promover melhorias.

A situação mais grave se verifica na AL-465, na ladeira onde fica instalada a sede do Assentamento Arrepiado, entre Porto Calvo e Japaratinga. Ali, uma cratera engole o acostamento da rodovia e avança para o centro da pista. O processo erosivo teve início em 2011 e a única providência adotada pelo DER até agora foi instalar uma espécie de proteção superficial, conhecida como “bigode”, além de sinalizar o trecho.

Acontece que depois de três anos, as placas reflexivas perderam o brilho e outras foram engolidas pela própria cratera. Para evitar uma tragédia, os trabalhadores rurais do Assentamento Arrepiado cortaram galhos de árvores e depositaram sobre a pista, no intuito de alertar os motoristas sobre o perigo.

“Na noite de quinta-feira passada, o eixo de um ônibus passou por cima dessa proteção. O veículo, por pouco, não caiu lá em baixo”, alertou o coordenador do Assentamento Arrepiado, José Edmilson da Silva.

Buraqueira na litorânea AL-101 Norte, entre Japaratinga e Maragogi
Buraqueira na litorânea AL-101 Norte, entre Japaratinga e Maragogi

A cobertura asfáltica da litorânea AL-101 Norte se desgastou. São anos e anos de uso e apenas reparos pontuais com asfalto frio. A obra completa, iniciada em 2010, foi paralisada no ano seguinte, deixando rebarbas e desníveis na pista que favorecem a ocorrência de acidentes.

De Japaratinga até o limite de Maragogi com São José da Coroa Grande, em Pernambuco, são 24,5 km a serem restaurados da litorânea AL-101 Norte, por meio do convênio entre o DER e o Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (DNIT). Para a empreitada, foram disponibilizados R$ 17.379.995,56.

O outro trecho tem uma extensão de aproximadamente 18 km, entre Porto Calvo e Japaratinga, com recursos da ordem de R$ 9.594.292,47. As duas obras estão paralisadas há três anos.

A buraqueira penaliza o segundo maior polo hoteleiro do Estado. O motorista que se distrair com a beleza natural da Costa dos Corais, no trecho entre Japaratinga e Maragogi, pode ser surpreendido com os buracos e terminar com um pneu estourado, se estiver com sorte.

No distrito de São Bento, a buraqueira toma conta da Ladeira da Riqueta, onde, na semana passada, dois turistas estrangeiros se acidentaram. A moto em que viajavam tombou ao passar por uma cratera. Os buracos estão polvilhados ainda sobre o asfalto que cobre os distritos de Barra Grande, Ponta de Mangue e Peroba, até a divisa de Alagoas com Pernambuco.

Imbróglio jurídico

Desgaste da malha rodoviária contrasta com as belezas naturais do segundo maior polo turístico de Alagoas
Desgaste da malha rodoviária contrasta com as belezas naturais do segundo maior polo turístico de Alagoas

A assessoria do DER informou que o órgão estadual aguarda o fim do período chuvoso para iniciar a operação tapa-buraco. As obras definitivas, porém, não podem ser retomadas em razão do processo jurídico envolvendo o DER e o DNIT, que, em 2010, firmaram convênio para restauração de aproximadamente 80 quilômetros de rodovias estaduais (AL-101, AL-465 e AL-430).

Por determinação da Controladoria Geral da União (CGU), o DNIT foi obrigado a bloquear a liberação dos recursos que ultrapassavam a cifra de R$ 44,4 milhões (verba do Programa da Reconstrução) disponibilizados por meio do convênio com o DER.

Entenda o caso

Em 2010, os Estados de Alagoas e Pernambuco sofreram com grandes enchentes, consideras a maior catástrofe natural dos últimos tempos na região. No município de Palmares (PE), duas pontes foram destruídas na BR-101. O tráfego de uma das mais movimentadas rodovias nacionais foi transferido para o Norte de Alagoas.

A porta de entrada era a AL-101 Norte, seguindo pela 465, 105, 413 e 430. Já combalidas e mal conservadas, as estradas estaduais não suportaram a grande movimentação de veículos, principalmente pesados, e a situação só se agravou.

Na Ladeira da Riqueta, em São Bento, buraco já provocou acidentes
Na Ladeira da Riqueta, em São Bento, Maragogi, buraco já provocou acidentes

Foi quando o DER firmou com o DNIT o tal convênio que teria efeito “compensatório” em função da destruição da malha provocada pelo desvio do tráfego pesado da BR-101 às rodovias alagoanas.

As duas pontes em Palmares foram levantadas em um ano e o tráfego voltou a fluir pela BR-101, mas, por aqui, em Alagoas, ficaram os buracos e as obras inacabadas, suspensas.

É que a CGU, após fiscalização, entendeu que a restauração dos trechos avariados não poderia ser objeto do Programa de Reconstrução, executado pelo governo do Estado que, de forma emergencial, socorreu os 19 municípios castigados pelas enchentes de 2010.

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